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  • Quem reconhece essa família do final do século XIX e da primeira metade do século XX?

    Até bem pouco tempo, a fisionomia do patriarca dessa família de Barras do Marataoã era desconhecida das gerações de barrenses da segunda metade do século XX à atualidade. Ele foi expressiva liderança comercial e política de Barras do Marataoã. Para manter o suspense de que família está retratada na fotografia, também omitiremos de onde partiu a doação, por enquanto. Muitos detalhes, em novas atualizações de Barras de todos os tempos e de todas as gentes. Faça sua aposta: Quem é o patriarca e a matriarca nesta imagem? Quem são as crianças? PARA DOAR FOTOS DE PESSOAS E LUGARES DE BARRAS OU RELACIONADOS A ELES, ENCAMINHE ZAP PARA (86) 9.8876-9230, ESPECIFICANDO ABAIXO DA IMAGEM(NS), AUTORIZO PUBLICAÇÃO. Encaminhe ainda pelo email museudebarras@gmail.com Ao encaminhar, descreva o que consta na foto e, se souber, o ano em que foi realizada e autoria.

  • Zé Doido

    Estátua erigida em homenagem ao andarilho Zé Doido, tombada depois de acidente de trânsito. Atualmente, consta no mesmo local nova estátua do andarilho. (*)Dílson Lages Monteiro – Não sou doido, não, sou é tarado né, siô? – era assim que repetidamente, sem qualquer sinal de cansaço, Zé Doido abordava quem passasse na rua. Em voz hesitante, esperava dos interlocutores, quase sempre ausentes de contato visual, um sinal de confirmação da pergunta. Um ou outro troçador alegrava-se de sadismo: – Tu não é doido, não. É muito é sem-vergonha! E ele, em impaciência angustiante, se punha a repetir: – Sou doido, não; sou é sem-vergonha! Nunca se soube seu nome. Apenas uma vaga referência à cidade de origem. Quaisquer alusões a ele, sempre pelo qualificativo que o diminuía. O que o identificava também o anulava. Como pessoa. Como criatura do mundo das sociabilidades. Que triste! Zé Doido habitou os temores de muita criança. E de mulheres, em especial. Vez ou outra, saía dizendo que elas estavam apaixonadas por ele. Costumeiramente, nu da cintura acima, punha-se a atritar pedras entre si ou contra calçadas. Mãos sobre a testa, olhando para o céu à procura do sol. Dizia que o estava esquentando. “Sol quente da mulesta, siô. Sol quente! Eu que esquentei”.   De tempos em tempos, desaparecia. A natureza andarilha o levava à cidade natal no pé da Serra Grande, a mais de 100 quilômetros. Quando não, aos lugarejos no entorno. Certo é que voltava a ir à porta do empresário que, nascido no mesmo canto que ele, carregando o peito cheio de borboletas e admiração pelo mundo, tratava de diminuir os padecimentos do conterrâneo. Um homem bom. Muita gente ainda lembra do tanto que bem fez. Quem vai esquecer bondade enquanto ainda existir sinal de vida em forma de recordação? Para além de viver nas ruas admirando o sol escaldante, o andarilho era visto com frequência na beira do rio. Escondido detrás de moitas em um tempo de abundante vegetação. Tempo sem máquina de lavar roupas. Multidão de lavadeiras nas margens batendo roupa em lages que até propriedade e lugar certo tinham. A pedra da dona Maria. Da dona Francisca. Da dona Joana. Anônimas da vida social, a não ser quando, de trouxa na cabeça, carregavam também a roupa limpa dos patrões. Aqui e acolá, punham Zé Doido a correr das moitas, receosas de que promovesse um ataque, o que nunca aconteceu com esse voyerista da imaginação sem fim. Era um tempo de lazer na beira dos rios também. Em churrascarias que marcaram época. Uma delas tinha o nome de Beira rio. Casa no alto do morro. Mesa de lages dispostas em filas debaixo de frondosas mangueiras. Gente de toda idade na areia branca à margem. Conversas animadas ao som de “La Belle de jour”, “Morena Tropicana”, “Da Manga Rosa, quero o gosto e o sumo”, de Alceu Valença. Gente bebericando pinga. Comendo Peixe frito. Enormes piranhas que desapareceram. Surubim ao molho. Coisa rara. Zé doido zanzava por ali, nas imediações, detrás de moitas. Os adolescentes buliçosos se aproveitavam... Rio tomado de banhantes e eles lá, os comportadinhos, a se fartarem. Mergulhavam fundo e passavam as mãos nas pernas das mulheres. Ou beliscavam forte. Elas saíam em disparada. Praguejavam. Diziam nome feio. “É o Zé Doido, vi ele mergulhando, tarado”. A molecada tratava de espalhar que o andarilho tinha fôlego grande e estava na ilha a sorrir seu riso ingênuo de pena e compaixão. O riso natural da admiração da luz e da natureza. Ficava sendo Zé Doido o beliscador. Certa vez, parado nas imediações de uma chácara nas proximidades da cidade em início de noite, lá estava ele do nada. A luz do dia já rareava e as corujas sentavam na ponta dos mourões de cerca. Ele aproximou-se como um raio que cai dos céus antes de chuva inesperada. Queria carona para a cidade. Disse logo ao irmão que não o levaria. “Que é isso? Ele vai entrar e fica quieto... Não vamos deixá-lo nessa escuridão à mercê de maldosos, vamos?” – convenceu-me, mas não sem antes fazer uma advertência: “Olha, Zé Doido, tu não vai morder ninguém aqui, não!”. – Mordo não, mordo não! Quero ir pra casa do vereador! Vereador é amigo! Amigo, amigo! Com fome, com fome! – tratou de responder, me convencendo por completo de que não era ameaça. Apenas uma barriga roncando. Dali a pouco mais de um quilômetro, descia na porta do vereador. Bateu palmas. Chamou pelo nome. Foi a última vez que o vi. Tempos depois, soube do fatídico desastre. Por duas vezes, ele morreu, você acredita? Duas vezes, o povo não cansa de repetir. O desastre verdadeiro na margem da rodovia do município vizinho... O caminhão atirando-o longe como bicho. A comoção ligeira de toda a região. Ergueram em sua homenagem um busto. Veio um veículo em disparada. Cheio de armas e ladrões de banco. A imaginação diz que Zé Doido, do além, entrou na frente do carro e provocou o desastre... A estátua pulou longe... Morte por duas vezes. Duas vezes. A morte Real. A morte da estátua esfarelada. Mas logo o andarilho voltaria a enfeitar à margem da rodovia sob a forma de estátua nova. Com direito à inauguração pelo senhor prefeito. Quando vejo uma dessas figuras que dizem doido, esquecido pelas ruas, penso no que já viveram de desprezo. De acolhimento. Nas histórias surpreendentes pelas quais passaram, em caminhos que a fatalidade ou o desamor construiu, sem que se tivesse possibilidades de escolhas. Penso nas famílias. Ou na inexistência delas. Lembro-me de Fernando Pessoa e seu Banqueiro Anarquista. Seria realmente aceitável, sem indignidade, que se nascesse assim ou nisso, no ser quase invisível que mete medo ou provoca risos, se transformasse? Lembro-me de Zé Doido. E antes de sorrir ou evitando essa ação, olho para o céu e me pergunto se não poderia ser tudo diferente. (*) Dílson Lages Monteiro, curador do Museu Virtual de Barras do Marataoã, autor de obras de ficção, poemas e ensaios. Pesquisador da memória e da história de Barras do Marataoã-PI.

  • Celso Pinheiro para brincar: um poema para as mães.

    Poesia, a obra completa de Celso Pinheiro, reeditada pela Academia Piauiense de Letras Leia atentamente o poema de Celso Pinheiro, em homenagem à sua mãe, para responder às questões. De olhar de mel e beijos de torcazes, A minha mãe, coitada! talvez fosse A dindinha dos cravos e lilases!... No seu ventre bendito Ela me trouxe Nove meses... E um dia, sob audazes Raios de sol primaveril, notou-se Que surgira um bebê de olhos vivazes... Era eu! era um poeta extravagante, Que nascera sem festas nem alardes, Quando o dia era um límpido diamante... A minha mãe... matou-a o mês de Agosto! E é por Ela que eu vou todas as tardes Rezar na capelinha do Sol-posto!... Celso Pinheiro 1.O poema expressa o sentimento do eu lírico pela mãe principalmente como: A) Inveja B) Indiferença C) Ternura D) Culpa E) Ressentimento 2.A principal emoção que o eu lírico expressa ao final do poema é: A) Alegria B) Alívio C) Raiva D) Tristeza E) Ironia 3.A linguagem do poema é marcada por: A) Frieza e objetividade B) Coloquialismo exagerado C) Simbolismo e lirismo D) Uso técnico e científico E) Repetição e cacofonia 4.A imagem da criança no poema é associada a: A) Um herói mitológico B) Um sábio ancião C) Um poeta sensível D) Um guerreiro forte E) Um desconhecido comum 5.A religiosidade aparece no poema quando o eu lírico: A) Vai à missa aos domingos B) Confessa-se em um templo C) Lê a Bíblia ao amanhecer D) Reza pela mãe falecida E) Frequenta procissões Gabarito: c, d, c, c, c, d. 6.A partir das respostas de cada questão, responda as charadas. 1.Sou o sentimento doce, que mora no coração. Quem ama com leveza, me dá sem condição. Quem sou eu? 👉 2. Chego com despedida, fico quando há saudade. Sou cinza, sou silêncio, sou dor e não sou vaidade. Quem sou eu? 👉 3. Falo por entre imagens, sugiro, mas não explico. Sou linguagem encantada, um segredo bem artístico. Quem sou eu? 👉 4. Nasci sensível e estranho, sem festa ou clarim no ar. Faço versos de emoção, e vivo a rimar. Quem sou eu? 👉 5. Sou gesto de fé sincera, feito em silêncio ou em voz. Te elevo ao que é divino, quando estás a sós. Quem sou eu? 👉 7.Releia o poema de Celso Pinheiro e divirta-se com as respostas de cada questão.

  • BAR DO FILHO CRENTE, O TCHEKA: A história de um bar como espaço de sociabilidade e entretenimento no Piauí

    (*) Francisco de Assis Alves de Oliveira O presente artigo toma o bar do Filho Crente, o Tcheka e suas particularidades curiosas como objeto de estudo. Esse recinto é um dos espaço de sociabilidade na cidade de Barras-PI. Ao eleger esse espaço como objeto de análise, objetivamos estudar a capacidade de se relacionar e interagir do cidadão barrense no contexto de um bar. Frequentadores do Bar do Filho Crente numa manhã acalorada de conversas . Os bares da cidade se constituem em lugares de sociabilidade. O Bar é transformado literalmente em uma roda de conversas, espaço de lazer e demonstrações comportamentais de práticas da vida em comum. O aspecto de maior relevância observado no bar é as práticas da vivência em comum, quer dizer, momentos são vividos em comunhão de amigos. Também, são observáveis gestos nobres de habilidades sociais de quem frequenta o bar. Pessoas que nunca tinham se visto antes e logo passam a conversar como se já fossem amigos de longas datas; compartilhando entre si comidas que na maioria das vezes já são trazidas prontas de casa e servidas como tira-gosto. Nesse particular, o José Antônio,  (o Vela) é tido como o rei do tira-gosto, ou seja; o que mais leva comida. Entre outros aperitivos, que também são abundantes. O tira-gosto, após entregue no balcão para o proprietário do bar, deixa de ser unicamente de quem levou e passa a ser compartilhado entre todos os presentes. Tcheka é uma das expressões utilizada para apelidar o dono do Bar. Essa expressão refere-se a um estrangeirismo aportuguesado que significa uma pessoa legal, pessoa cheque. Para além disso, observa-se que a forma que a palavra é escrita, Tcheka com a letra “K” remetente para o nome da primeira organização de polícia secreta da União Soviética, a Tcheka. O  bar se trata de um estabelecimento comercial de tamanho reduzido, localizado na Rua Duque de Caxias, por trás do Banco do Brasil, quase esquina com a Rua Leônidas Melo, no centro de Barras-PI. Clientes em pé no balcão dentro  do bar Foto: Arquivo pessoal do autor, 2023   O espaço funciona desde 1994. É um local sem identificação, de pouca estética. Porém, conseguiu fidelizar uma grande clientela, que visita com bastante frequência. Uma pequena mesa de madeira no centro do bar rodeada de amigos é cenário constante, mudando apenas os personagens.   Ir para o bar do Tcheka não é visto apenas como um simples lazer. É também oportunidade para contemplar artefatos de importância histórica, que são preservados no local. É um ambiente bastante modesto que vende secos e molhados, juntos e misturados. Uma mistura de Bar com quitanda, museu, troca-troca e exposição iconográfica. Um lugar que se vende de tudo um pouco. Antes de se tornar um dos bares de maior movimento, no centro da cidade, deu seus primeiros passos 28 anos atrás em um cômodo de sua própria residência, na Rua General Taumaturgo de Azevedo. No pequeno bar, o empreendedor recebia somente pessoas próximas. Em pé, o proprietário do bar com alguns dos frequentadores mais assíduos. Foto: Arquivo pessoal do autor, 2023 A cerveja é servida ao clientes em um pequeno espaço, em que se bebe quase sempre de pé no balcão ou sentado em cadeiras tamborete. O balcão era uma peça usada no Banco do Brasil para atender os clientes. Descartada pelo banco, foi aproveitada como uma espécie de mesa, que se destina geralmente a servir bebidas. Muitos frequentadores são assíduos, cadeira cativa. Vez ou outra,  é o próprio cliente que se serve, abre o freezer e pega a sua cerveja predileta. Ali, ressalte-se, cerveja, de todas as marcas. Depois do fechamento do Bar A Cubana, bar tradicional estabelecimento na rua Leônidas Melo por longos anos, o bar do Tcheka passou a ser um dos mais antigos em funcionamento, no centro da cidade. Em um espaço mais recuado, após o balcão, funciona uma cozinha improvisada. É neste local onde o proprietário do bar prepara o tira-gosto, geralmente levado pelos próprios clientes. Na área externa, um pequeno quintal no fundo do bar vem em socorro ao apertado espaço interno, onde o proprietário coloca algumas mesas debaixo do limoeiro. No meio do terreno, existe um frondoso pé de limão-azedo, que frutifica com abundância; atendendo as necessidades do bar e dos apreciadores de uma boa cachaça com limão. Uma mesa rodeada de amigos no bar do Tcheca ainda é a melhor rede social Foto: Arquivo pessoal do autor, 2023 Os envolvidos no mundo etílico que marcam presença no bar, dependendo do seu grau de embriagamento, deixam escapar algumas verdades e informações de primeira mão sobre temas diversos da sociedade barrense. Além do bate-papo animado que se estabelece, todo mundo fica sabendo das notícias e novidades que circulam na cidade. Assim se manifesta um cadeira cativa: “Venho para o bar do Filho  para me atualizar das notícias da cidade”, ou seja; informações que circulam na boca do povo e nas ruas da cidade, cuja fonte é desconhecida. Porém, a sua veracidade pode ser  autenticada. As regras de conduta do Bar são rígidas, quais sejam; quando um cliente está com o humor alterado e as emoções à flor da pele, o proprietário entra em ação para impor ordem na casa, o que faz com certo grau de rispidez.  Isso termina por afastar temporariamente o freguês. Porém, tão logo reconhece o seu erro o cliente pede para voltar. E todos são bem-vindos e acolhidos  ao retornar. Exposição de objetos históricos nas prateleiras do bar Foto: Arquivo pessoal do autor, 2022 Também, não podemos deixar de mencionar o apito como parte constituinte das regras do Bar. Diante de um debate acalorado, não é necessário o proprietário do estabelecimento pronunciar nenhuma palavra. Basta acionar o apita para avisar que alguém  extrapolou as regras. O som do apito serve para advertir que está na hora de concluir a discussão e harmonizar o ambiente. O apito entra em cena para defender a pacificação e tolerante convivência entre as mais diversas opiniões. Destaca-se outra característica inerente ao bar do Filho que regula o funcionamento: o momento de fechar. Quase que de forma repentina, o proprietário do Bar simula o fechamento da porta e diz: “Rumbora pra casa!”.  O Bar é fechado  independente de quem esteja dentro, sem tolerância para tomar a saideira. Antes, porém, é dado o tempo necessário para os clientes terminarem o restante da cerveja que se encontra na garrafa; em seguida, o portão se fechar por completo.   O bar é um ambiente familiar e de amigos. Assim afirma um frequentador: “O que me atrai aqui é os amigos, as histórias, as conversas que rolam aqui, não tem confusão”. Outro  freguês afirma: “O que me atrai é a amizade que eu tenho com o filho e alguns amigos que frequentam aqui”. Também, o Bar do Filho trata de pautas quentes que vão de futebol à política. É palco de debates políticos acirrados, contudo respeitosos. Cada um defendendo o seu lado. Uns meio de esquerda e outros meio de direita.   Exposição iconográfica e objetos antigos na parede do bar Foto: Arquivo pessoal do autor, 2023 Do ponto de vista político trata-se de um espaço plural e de perfil democrático, frequentado por um público mais adulto; constituído em sua maioria por quem possui diploma de curso superior; cidadãos com elevado grau de letramento. São eles professores, advogados, empresários, profissionais liberais autônomos e servidores públicos em geral; dos quais se destacam o professor Assis Mesquita e professor Vagner. O último, foi suspenso provisoriamente por falta disciplinar. Para a lista não ficar muito extensa, cito apenas alguns cadeira cativa. O dia mais indicado para  comprovar os fatos narrados é a sexta-feira. Em umas dessas tradicionais e movimentadas sextas-feiras, estava presente o senhor Estevão Teixeira Marques,  um animado frequentador que tem mais de 80 anos; um senhor de temperamento divertido, bem–humorado, simpático, que demostra facilidade para de se socializar e fazer amizades. “Aqui não tem preto e nem branco, não tem rico e nem pobre, aqui tem amigos”. (Estevão Marques. 31 de março de 2023.) . Ele pedia música na Alexa e passava a  cantar como se fosse um karaokê. No momento de pedir a música, é um grande alvoroço. Duas ou três pessoas solicitam música ao mesmo tempo. No embaraçar das vozes, a  Alexa não consegue entender o que foi solicitado. Não toca a música. Fica todo mundo chamando  a alexa de burra. Misturados aos litros de bebidas, encontramos nas prateleiras, artefatos antigos e fotografias que  transformam o bar do Filho/Tcheka em uma espécie de museu e memorial; preserva o passado por meio de objetos antigos. O acervo conta com  variados modelos de rádio: Moto rádio de madeira,  rádio Semp Toshiba (apelidado de rádio Jabuti). Também, faz parte do conjunto de objetos antigos um lampião a gás. Em 2025, o secretário da educação do município, prof. Ramon Vieira, adquiriu parte desse acervo para seu museu particular. Além do disso, existe à exposição diferentes modelos de celulares antigos. Entre os frequentadores, o ilustre professor de gerações de barrenses e comunicador Assis Mesquita. Na parede, do lado direito de quem entra no bar, existe uma exposição iconográfica, um painel fotográfico que, segundo o proprietário, fora montado sua montagem de forma natural e espontânea. Cada um dos frequentadores encarrega-se de afixar no painel a fotografia de sua preferência. A maioria das imagens advém dos próprios frequentadores que fazem questão de deixar registrado sua passagem pelo local. É possível ver imagens de alguns personagens históricos de Barras e do estado do Piauí. A exposição de objetos antigos e as fotografias na parede é uma atração à parte. É oportuno registrar que, entre um gole e outro de cerveja, existe a possibilidade de fazer uma troca de celular, relógio moto, televisão etc. Além de tudo isso, é ocasião oportuna para comprar vassoura de palha de carnaúba, lamparina, rede, chapéu, aparelho de barbear, tapete de chão, pneu de carro usado, conserva de pimenta-malagueta curtida na cachaça, entre outras miudezas. O bar do Filho crente, o Tchecka, tornou-se um indispensável ponto de encontro para os amigos do malte e de uma boa cachaça. Copo cheio, comida na mesa e amigos sentados ao redor, é cenário de rotina no bar.  O público predominante dos frequentadores é de Homens, “só macho”, como diz um freguês do estabelecimento. Raramente se vê uma mulher. Para o bom cliente,  existe até a possibilidade de deixar a conta anotada no caderno, ou seja, para se pagar depois. No entanto, para se cogitar essa possibilidade, é necessário que o bom freguês esteja com o score de crédito alto perante ao estabelecimento. O autor deste artigo, também frequentador, à direita É possível afirmar  que o bar em estudo se constitui em um espaço de sociabilidade e de contato diário de pessoas que se divertem e fazem negócios em Barras-PI. Afinal, lugares de sociabilidade são espaços em que as pessoas se reúnem, para conversar, se divertir, conjecturar sobre assuntos variados e galhofar com os amigos. Bares, ruas, parques e praças são exemplos desses espaços. O bar do Tcheka se constitui em ambiente sociável, onde todos se alegram, bebem, degustam um bom tira-gosto e ouvem músicas, até recentemente executadas pela assistente virtual, Alexa.   Vale ressaltar que a alexa foi recentemente vendida. O dono bar diz que está arrependido por ter vendido a assistente virtual e promete para breve o retorno da mediadora das músicas. Essa narrativa continua diariamente no entra e sai do bar, no que se conta e ouve ali, no riso do reencontro de amigos, na bebida sem excessos e na dinâmica da vida social. Com ou sem a Alexa, o bar do Tchecka é um espaço de tradição em Barras-PI. (*) Francisco de Assis Alves de Oliveira é pesquisador, graduado em História, com especialização em História do Brasil e Docência no Ensino Superior.

  • A pergunta de abril

    Quem sou eu? Ele foi um jornalista de expressão. Radicou-se no Rio de Janeiro, onde construiu bonita carreira. Faleceu jovem. Veja o registro visual e, se sabe ou imagina quem é a ilustre figura dessa foto, deixe seu comentário. Em maio, o Museu Virtual de Barras do Marataoã traz detalhes sobre o trabalho deste barrense em outras terras. Deixe aqui seu comentário. #barras #outrasterras

  • Algumas lembranças barrenses de meu pai

    (*) Elmar Carvalho Miguel de Carvalho e filhos, quando da comemoração de seus 90 anos.   Miguel Arcângelo de Deus Carvalho é o nome completo de meu pai. Ele nasceu em Barras, no dia 5 de janeiro de 1926, filho único de João de Deus Nascimento e Joana Lina de Deus Carvalho. Perdeu seu pai quando tinha apenas 13 anos de vida, e cursava o ginásio no Colégio Diocesano, em Teresina. A infausta notícia lhe foi transmitida, com as cautelas de praxe, pelo Monsenhor Chaves, que depois viria a se tornar um dos maiores historiadores do Piauí, do qual vim a me tornar amigo, quando fui o presidente do conselho editorial da Fundação Cultural que leva o seu nome. Recebeu a impactante notícia da morte de seu pai logo após concluir a prova parcial do dia 30 de setembro de 1939. Padre Chaves foi afetivo e cuidadoso ao lhe dar a notícia, proferindo palavras de conforto e resignação; recomendou que meu pai fosse repousar. Diante desse inesperado acontecimento, papai voltou para Barras, a chamado de sua mãe, e só veio a concluir o ginásio muitos anos depois. Meu avô paterno se chamava João de Deus Nascimento; era filho de Emiliana e Silvestre Ribeiro do Nascimento. Graças a seu esforço e labor, fez prosperar uma gleba de terra, situada na data Luiz de Souza, e conseguiu amealhar algumas reses, engenho de cana e casa de farinhada. Era respeitado em sua localidade e na cidade de Barras, onde era muito conhecido. Portanto, cedo meu pai teve que trabalhar, para sustentar-se a si e a sua mãe, que morou em sua companhia até quando faleceu em Campo Maior, no início dos anos 1960. Fora outros empregos, trabalhou na Casa Marc Jacob e na Casa Inglesa, em Campo Maior, para onde se transferira aos 26 anos. Morava na vizinhança de meu avô uma sua parenta, creio que sobrinha, cega de nascença e entrevada, como se dizia antigamente. Levava a vida a cantar hinos religiosos e a rezar, em perpétua vigília e penitência. Meu avô, falecido em 1939, pedira para ser enterrado perto da cova de sua sobrinha. Talvez tenha sido recebido por ela, sarada de seus males, coberta pelo manto de glória e beatitude que deve ornar os que levaram uma vida de sofrimento, renúncia e conformação. No cemitério campestre da chapada de Luiz de Souza, perto de faveiras, sambaíbas, paus-d’arcos e pequizeiros, repousam, lado a lado, os restos mortais de meu avô João de Deus e dessa parenta, que aceitou com fé e resignação o sofrimento que lhe coube, e que viveu como um anjo, a orar e a entoar cânticos e “excelências” a Deus. Meu avô conheceu minha avó na cidade de Barras, onde ela morava em companhia de seu irmão Elpídio Lucas Furtado de Carvalho. Chamava-se Joana Lina de Deus Carvalho e nascera em Piripiri. Era filha de Miguel Furtado do Rego e de Izabel Lina de Carvalho, ambos de antigas estirpes piauienses. Muitas décadas após meu pai deixar o seu pago, fui com ele conhecer o local onde ele nascera, uma gleba encravada na data Luiz de Souza, que fica a poucos quilômetros da cidade de Barras. Vi meu pai tomado de profunda emoção, com os olhos marejados, a olhar o olho-d'água de sua infância, que ainda corria perene, a rever o buritizal da várzea e o morro verdejante onde se erguera outrora a casa de seu pai. Meu pai, ainda bem moço, veio para Campo Maior, onde trabalhou na Casa Marc Jacob e na Casa Inglesa, como já disse. Posteriormente, ingressou no antigo Departamento de Correios e Telégrafos - DCT, através de concurso público, no ano de 1958. No início de sua vida de casado e de servidor público, morou no povoado Papagaio, hoje cidade de Francinópolis, por cerca de um ano. O DCT virou ECT, nos anos 1970, e meu pai terminou indo para Parnaíba, onde por vários anos chefiou a agência local dessa empresa. Mas, amante inveterado e incondicional de Campo Maior, após sua aposentadoria, terminou regressando mais uma vez a minha terra natal, onde morou até o falecimento de minha mãe, Rosália Maria de Melo Carvalho, ocorrido em 2013, quando se mudou para Teresina, onde faleceu em 5 de novembro de 2017. Nos seus últimos anos de vida morou em companhia de meu irmão Antônio José e de sua esposa Maria de Jesus. Dentre os seus parentes mais próximos residentes em Barras, meu pai tinha especial consideração e estima por Elpídio Lucas, seu tio, e aos seus primos José, dito José Lucas, Salomão, Domingos Lucas, Noca, João Cardoso e certamente outros, cujos nomes esqueci, passados tantos anos. Em minha infância, estive de férias escolares em Ameixas, zona rural, hóspede de dona Noca e João Cardoso. Em minha adolescência passei, em algumas ocasiões, dias de férias na cidade, acolhido por Salomão de Sá Furtado.  Em 1970, representando meu pai, fui para a posse de Salomão, como vice-prefeito, que, na legislação da época, passava a ser o presidente da Câmara Municipal. Salomão era um exímio operador de aparelho morse. Funcionário do antigo Departamento de Correios e Telégrafos - DCT. Ele não precisava ver a fita com os sinais gráficos do morse. Só pelo som, ele sabia o conteúdo da mensagem recebida. Coisa rara na época, ele tinha uma biblioteca em sua casa. Entre outros volumes, possuía uma coleção do detetive Sherlock Holmes, da autoria do célebre Conan Doyle, e uma de livros sobre a Segunda Guerra Mundial. Folheei e li algumas páginas desses volumes. Além de amante da leitura, ele tinha uma redação admirável, elegante, escorreita, e uma linda letra, estilizada, digna dos melhores calígrafos. Muitos anos após, quando participei da obra coletiva Galopando, lhe mandei um exemplar. Poucos dias depois, ele acusou o recebimento, através de uma bela missiva, em que dizia antever o meu futuro literário. Qual seria esse “futuro” não serei cabotino para revelar. Mas essa previsão alvissareira sem dúvida era fruto da amizade que ele tinha por meu pai, e que era correspondida na mesma intensidade. Dentre os parentes não residentes em Barras (a maioria morava em Teresina), meu pai fazia referência com mais frequência ou tinha mais contato com os seguintes: Mariá, casada com Deusdete Castro, comerciante, Socorro Lages Furtado, casada com o Kidniro, funcionário INCRA, gostava de ler romances; em minha adolescência me emprestou o livro Brocotós, da autoria de Fontes Ibiapina, João Berchmans, que foi escolhido por meu pai para ser meu padrinho de crisma, mas que por fatores adversos, terminou não acontecendo, Sebastião Aécio, médico e gestor de órgãos da Saúde estadual, e Bilé Carvalho, de voz forte, grave, estentórica, vibrátil, quase um trombone, que em suas agradáveis conversas desfiava um vasto anedotário sobre fatos e pessoas de Barras. Entre os vários parentes e amigos de meu pai, os seguintes, para minha satisfação e honra, também se tornaram meus amigos: Wilson Carvalho Gonçalves, notável historiador e dicionarista biográfico, membro da Academia Piauiense de Letras, auditor fiscal da Receita Federal e chefe na ESAF no Piauí, Adolfo Uchoa, desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Piauí - TJPI, Walter de Carvalho Miranda, meu professor no curso de Administração de Empresas (UFPI), desembargador do TJPI e presidente do Tribunal Regional Eleitoral-PI e Geraldo Majella Carvalho, sobre o qual já tive oportunidade de dizer o seguinte: “Foi meu professor no curso de Direito (UFPI). Casou-se em 1954 com Maria Augusta Nunes, com quem passou a morar em Barras. Após o trabalho precursor e de consolidação de Helena Carvalho, Geraldo Majella, com o apoio de sua esposa, impulsionou o teatro em Barras, oportunidade em que atuaram no palco figuras como Bilé Carvalho, Francisca Araújo, Lourdinha Lustosa, Necy Araújo, Cauby Carvalho, Leônia Brasil e outros. Organizou e dirigiu o coral da matriz. Foi diretor do Barras Clube. O padre Lindolfo Uchoa, Geraldo Majella Carvalho e José Alencar Lopes (Zé do Honório) desenvolveram intenso trabalho em prol da criação do Ginásio N. Sra. da Conceição, que foi instalado no prédio do Grupo Escolar Matias Olímpio, onde passou a funcionar no turno da noite. Foram seus primeiros professores Geraldo Majella, Maria Augusta Nunes, Eliseu Albano, Raimundo Baptista, Conrado Amorim e sua esposa Olga Fernandes. Foi  tabelião em Barras e Teresina. Exerceu o cargo de Juiz de Direito em Regeneração, ocasião em que se tornou um dos fundadores do Ginásio da CNEC nessa cidade, terra natal de sua esposa.” Essas são, em síntese, algumas das lembranças mais recorrentes de meu pai, referentes a Barras, sua amada terra natal, e que consegui reconstituir para uma live realizada por Dílson Lages Monteiro, que se encontra disponível no You Tube e no seu notável Museu de Barras.    (*) Elmar Carvalho é membro da Academia Piauiense de Letras e de diversas academia regionais, entre elas, a Academia de Letras do Vale do Longá, cuja sede é em Barras do Marataoã-PI.   Assista a "Miguel de Carvalho: memórias de um barrense recontadas pelo filho Elmar Carvalho".

  • 60 anos do pé de figueira da Fazenda Guaribas

    Soraia Alves Torres, neta de Olavo Ribeiro Torres, no pé de figueira da Guaribas, (*) Reinaldo Barros Torres Construída há cerca de 190 anos, a casa grande da Fazenda Guaribas, localizada na divisa dos municípios de Barras com Nossa Senhora dos Remédios, norte do Piauí, foi o local onde meus avós Olavo Ribeiro Torres e Zenobia Barbosa Torres criaram seus rebentos em terras herdadas do meu bisavô Fernando Ribeiro Torres, o Fernandinho (para mais informações, consulte plataforma de dr. Edgardo Pires Ferreira. CLIQUE AQU I). Por toda sua extensão, a estrada que passa em frente a casa é o marco divisório de Barras e Nossa Senhora dos Remédios, hoje Povoado Santo Antônio. Do lado da antiga casa de Olavo e Zenobia (hoje, 2024, sobre a administração de Iracema Torres), está o município de Barras; do outro lado o município de Nossa Senhora dos Remédios. Em 13 de janeiro de 1964 meu pai José Ribeiro Torres casou-se com minha mãe Maria Inês da Cunha Barros Torres e como um marco da união conjugal, plantou um pé de figueira em frente a casa da fazenda (do lado do município de Nossa Senhora dos Remédios), trazido da cidade de Barras como doação do "Senhor Caboclo", dono de uma conhecida lanchonete situada em frente a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, onde hoje (2024) está a sede do Banco do Brasil. Casa-grande da Fazenda Guaribas, hoje pertencente à Iracema Rodrigues Torres, prima de Olavo Torres. Com 60 anos completados em 2024 o pé de figueira pode ser derrubado. É que a Equatorial Energia @equatorial.pi resolveu fazer uma linha energizada que passará exatamente por cima do decano pé de figueira, destruindo um marco divisório entre dois município e apagando uma história da vida do meu pai José Ribeiro Torres, que no dia 30 de janeiro deste ano (2024), completou seus 83 anos bem vividos. Na foto minha prima Soraia Alves Torres, emprestando sua beleza para deixar o pé de figueira ainda mais bonito. . (*) Reinaldo Barros Torres, jornalista e poeta, ocupa uma das cadeiras da Academia de Letras do Vale do Longá. .

  • Capitão Miguel Carvalho e Aguiar

    Antiga Rua Grande de Barras do Marataoã, depois Getúlio Vargas, hoje Taumaturgo de Azevedo, coração da vida de Barras, em imagem da década de 1940. *Reginaldo Miranda Foi um importante militar e fazendeiro com atuação na bacia do rio Longá, durante a primeira metade do século XVIII, sobretudo em sucessão ao pai, que fora figura central na colonização daquela região centro e norte do Piauí. Nascido cerca de 1690, em fazenda paterna do vale do rio São Francisco, freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Rodelas, era filho primogênito do eminente mestre-de-campo Bernardo de Carvalho e Aguiar e de sua esposa Mariana da Silva, ele natural de Vila Pouca de Aguiar, em Portugal, ela do mesmo sertão do rio São Francisco. Possuía ao menos dois irmãos que lhe sucederam na ordem de nascimento: Bernardo Carvalho de Almeida e D. Antônia de Aguiar, que fora casada com o coronel Manuel Xavier A’la. Desde a meninice acompanhou o pai em sua mudança para o sertão do Piauí, criando-se nas margens das lagoas e igarapés da fazenda Bitorocara, hoje cidade de Campo Maior. Ele assim afirma em petição endereçada ao governador do Maranhão, Cristóvão da Costa Freire, ao pleitear carta de sesmaria da fazenda Serra, no sertão dos Alongasses. Resumindo seu petitório, anotou aquele governador na carta concessiva da sesmaria, datada de 15 de janeiro de 1713: “A Christóvão da Costa Freire, governador e capitão-general do Maranhão, enviou dizer por sua petição Miguel Carvalho de Aguiar [1] , filho do coronel Bernardo Carvalho de Aguiar, morador na capitania do Piauhy, aonde se criou em companhia do dito seu pai, ajudando-o em tudo o que era necessário no serviço de Sua Majestade, contra os gentios da dita capitania em muitas hostilidades que cometiam contra os brancos portugueses dela” (PT/TT/RGM/C/0009. Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 9. Fl. 370v. 447v-448) No entanto, com o Levante Geral dos Índios e a nomeação de seu pai para mestre-de-campo da conquista do Piauí e Maranhão, a situação recrudesceu. Por essa razão, em 1715, sentou praça no posto de tenente do regimento de cavalaria do Piauí, auxiliando o genitor nas mais diversas diligências e entradas contra o gentio, servindo sempre com zelo e muita satisfação [2] . No ano seguinte, foi mandado [3] pelo referido mestre-se-campo em diligência à capitania do Ceará, para buscar índios aliados em Ibiapaba, a fim de auxiliar as tropas de combates aos revoltosos. E nesse desiderato seguiu jornada de cento e trinta léguas, em que gastou três meses no percurso de ida e volta, em pleno inverno em que muito padeceu, tendo de andar por terrenos alagados, atravessar uns rios a nado e outras em balsas por ele fabricadas, seguindo por terrenos ásperos e perigosos, passíveis de ataque do gentio rebelado. Os aprestos de cavalos, escravos, armas e munições foram por ele custeados, segundo informa, no que fez grande despesa. E trazendo os índios aliados, na volta ainda aprisionou dois criminosos que iam foragidos pelo caminho, trazendo-os para o arraial de seu genitor. Em face do grande zelo com que sempre se conduziu no real serviço, em 1717, foi nomeado pelo governador Cristóvão da Costa Freire, para o posto de coronel de cavalaria, que vagou porque o titular André Gomes da Costa mudou-se para a cidade de Bahia. Nesse posto foi confirmado por carta patente de 6 de janeiro de 1718. Passou a auxiliar o pai em todas as diligências e combates contra o elemento indígena, sendo elemento decisivo em diversos confrontos. No entanto, um fato relevante desse período foi a incumbência que recebeu do governador do Maranhão, para liderar “uma escolta de cento e tantas pessoas a prender certos homens facinorosos”, “cuja diligência executou com pronta obediência e boa satisfação, trazendo-os presos e os entregando àquele governador. No entanto, porque não vencia soldos nesses postos anteriores, os largou e novamente reiniciou a carreira, sentando praça de soldado raso em 4 de novembro de 1720, no dia seguinte galgando o posto de sargento do número da conquista do Piauí, em cujo posto serviu pelo tempo de dois anos, dez meses e quatro dias; em 1721, participou ao lado do pai da conquista do gentio paracati, matando e aprisionando à quase totalidade daquela nação; em 8 de setembro de 1723, foi provido no posto de ajudante do número da conquista, servindo por sete meses e vinte e sete dias; finalmente, em 3 de maio de 1724, alcançou a patente de capitão de infantaria da conquista, por nomeação do general João da Maia da Gama (19.7.1722 – 14.4.1728). Durante esse tempo, assistiu na conquista do Piauí pelo espaço de dois anos, quatro meses e dez dias, até 15 de março de 1723, dia em que se apresentou na praça do Maranhão; assistiu na conquista do Mearim [4] , desde 18 de outubro do dito ano de 1723, ali permanecendo ao lado do pai no arraial que fundaram na margem daquele rio, para dar combate ao gentio bárbaro, conforme diz em correspondência datada de 3 de março de 1725. Lideravam um contingente de cem soldados da infantaria paga da guarnição de São Luiz, e ali grande serviço prestaram no apaziguamento da região. De retorno ao seu domicílio em março de 1725, pleiteia a confirmação da referida patente militar e o pagamento de soldos. Com o fim dos conflitos fixa residência em definitivo na extensa fazenda das Barras, na ribeira do Marataoan, onde este entra no rio Longá, passando a apascentar o seu rebanho, por aquele tempo já em número avantajado, distribuído em diversas fazendas. Embora tendo sido casado na Bahia, durante a mocidade, Miguel Carvalho de Aguiar, pouco conviveu com a esposa, de quem separou-se, de fato, meses depois do matrimônio, antes de gerarem filhos ou construírem patrimônio comum. Segundo ele em seu testamento, esta foi-lhe arrancada de casa, violentamente, pelos parentes. Por isso, na fazenda recebia os favores exclusivos das negras escravas, com quem gerou alguns filhos. Por esse tempo preocupou-se em regularizar seu patrimônio, assim requerendo às autoridades competentes. Como consequência, em 28 de janeiro de 1734, é passada provisão ao ouvidor-geral Francisco Xavier Morato Boroa, para tombar e demarcar as terras do peticionário. Em seu anterior petitório [5] alegou o proprietário que ele e seu defunto pai tinham conquistado muitas terras ao gentio brabo, tanto no Piauí quanto no Maranhão; também, que além dessas, seu pai havia adquirido em arrematação judicial três fazendas que pertenceram ao falecido mestre-de-campo Antônio da Cunha Souto Maior, denominadas: Campo Largo [6] (na margem do rio Parnaíba, limitando-se com o riacho Piranhas), Arraial Velho [7] (na margem do Parnaíba, lado do Maranhão, adquirida pelo primitivo proprietário juntamente com a contígua fazenda Nazareth, ambas com dez léguas de comprido e uma de largo) e São Francisco, sitas na Parnaíba, distrito das ditas conquistas do Piauí e Maranhão. De fato, em 4 de junho de 1739, recebeu a confirmação de sesmaria no lugar Campo Largo, com três léguas de comprido e uma de largura, desbravada por seu pai. Este o havia recebido em sesmaria pelo governador Cristóvão da Costa Freire, no ano de 1713, porém, o pleito de confirmação fora desencaminhado no reino [8] , obrigando ao novo pleito do filho e herdeiro. Pelo mesmo motivo, vai adquirir confirmação de sesmaria no Arraial Velho [9] , situado na margem esquerda do rio Parnaíba, alegando que o seu falecido pai já a tinha adquirido em 1713, sendo o documento desencaminhado [10] . Em 15 de janeiro de 1713, já havia recebido do governador do Maranhão, uma sesmaria no lugar denominado Serra, no sertão dos Alongases, medindo três léguas de comprido e uma de largura. Foi confirmada [11] em 26 de janeiro de 1718. Encontramos registro ainda de que o capitão Miguel de Carvalho e Aguiar, vendeu a fazenda Jatobá, com três léguas de comprido e uma de largura, ao seu cunhado coronel Manoel Xavier A’la; vendeu a fazenda das Matas, com três léguas de comprido e duas de largura, a Luiz Pinheiro dos Santos; e ainda traspassou a fazenda Riacho do Padre a seu irmão fr. Bernardo de Carvalho. O capitão Miguel de Carvalho e Aguiar, fez testamento em 9 de dezembro de 1749, declarando que àquela altura possuía dezenove escravos e quatro fazendas, cujo valor estava avaliado em quarenta mil cruzados, pouco mais ou menos, a saber: das Barras, na ribeira do Maratahoan, no Longá, Campo Largo, São Francisco e Arraial, essas últimas situadas na ribeira do Parnaíba. O capitão Miguel de Carvalho e Aguiar, deu início à construção da capela de Nossa Senhora da Conceição, em sua fazenda das Barras, por volta de 1740 [12] , falecendo sem concluí-la, mas deixando bem adiantada a construção, onde já se fazia o sacrifício da missa. Foi, assim, o primeiro morador do lugar e o pioneiro fundador do núcleo que deu origem à atual cidade de Barras, no norte do Estado. Faleceu o coronel Miguel de Carvalho e Aguiar, por volta do ano de 1752, em sua fazenda das Barras, sendo o corpo sepultado em sua capela de Nossa Senhora da Conceição, vestido no hábito de São Francisco, conforme as disposições testamentárias. Deixou para patrimônio da capela quinze éguas com seu ferro na fazenda do Arraial [13] . Por disposição testamentária, deixou a fazenda para a filha Ana, ainda menor, havida com uma escrava. O padre Cláudio Melo nos dar essas importantes informações, mas desconhecia como a fazenda e a capela teriam passado ao abastado fazendeiro Manuel da Cunha Carvalho [14] . Ocorre que este a adquiriu por arrematação no juízo dos ausentes, em face da execução de dívidas. Ali estiveram paroquiando os devotos, os freis Manuel da Penha e Gabriel Malagrida, tendo este último, em 1759, com sua palavra fervorosa exortado Manuel da Cunha Carvalho para concluir o templo religioso, como de fato ocorrera. Segundo anotou o inolvidável David Caldas, filho ilustre da localidade, àquele tempo a capela “só tinha o presbitério coberto e o mais não passava de alicerces ou começo de paredes”, tendo a obra sido “concluída em pouco tempo” [15] . Posteriormente, o referido Manuel da Cunha Carvalho, vendeu a maior parte dessa fazenda a Manuel Antunes da Fonseca [16] , porém, reservando para si pouco mais de uma légua de terras, no entorno da capela de Nossa Senhora da Conceição. Com o esfacelamento da fazenda das Barras, a gleba remanescente ficou conhecido por Buritizinho, segundo se depreende das notas de David Caldas. Ao falecer Manuel da Cunha Carvalho, em 8 de dezembro de 1776, deixou a referida fazenda e seus outros bens ao sobrinho Manuel José da Cunha. Para legado da capela deixou uma dotação de Rs. 150$000 a ser administrada pelo referido sobrinho, que a multiplicou com o giro do capital, transformando-a em Rs. 205$000. Ao falecer em 2 de abril de 1804, este sobrinho doou meia légua de terras que lhe restara, para patrimônio da Igreja. Por esse tempo, já se formara pequena povoação em torno da capela, contando com oito casas residenciais, sendo duas cobertas de telhas e seis de palha. Estavam, assim, lançados os fundamentos da futura vila, depois cidade de Barras, no norte do Piauí. O coronel Miguel de Carvalho e Aguiar foi dessa saga o iniciante. _____________________ *REGINALDO MIRANDA, autor de diversos livros e artigos, é membro efetivo da Academia Piauiense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí e do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-PI. Contato: reginaldomiranda2005@ig.com.br   [1] O nome aparece com mais frequência Miguel de Carvalho e Aguiar, sendo esta a forma corriqueira de seu genitor, mas também Miguel Carvalho de Aguiar, como também, às vezes, aparece o genitor. [2] Existe registro de que nesse ano, com uma escolta, perseguiu uma maloca de índios pelo baixo-Parnaíba, afugentando-a. [3] Com ele foi também o capitão Manoel Antunes Trigo. Nesse mesmo ano, Miguel Carvalho de Aguiar acompanhou o mestre-de-campo seu genitor, numa tropa de guerra ao Maranhão, em que deram combate aos aranhi, matando muitos e aprisionando outros (AHU. ACL. CU 009. Cx. 14. D. 1446). [4] Conforme seus assentamentos militares e certidão emitida pelo desembargador Francisco Machado, auditor da gente de guerra do Maranhão (AHU. ACL. CU 009. Cx. 14. D. 1446). [5] AHU. ACL. CU 016. Cx. 2. D. 103.   [6] Confirmada por carta de 13 de maio de 1743 (PT/TT/RGM/C/0034/59853. Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 34, f.120. [7] Confirmada por carta de 5 de maio de 1743 (PT/TT/RGM/C/0034/59854. Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 34, f.12)     [8] AHU. ACL. CU 013. Cx. 24. Doc. 2289.   [9] Fundado pelo mestre-de-campo Antônio da Cunha Souto Maior. Depois as terras foram adquiridas por seu pai e nesta forma repassadas ao filho. É a origem da cidade de São Bernardo do Maranhão. Foi o último domicílio do mestre-de-campo Bernardo de Carvalho e Aguiar, onde veio a falecer. [10] AHU_ACL_CU_009, Cx. 14, D. 1445 e 1453. Cx. 26, D. 2718.   [11] PT/TT/RGM/C/0009. Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 9. Fl. 370v. 447v-448   [12] O ano da fundação foi indicado pelo historiador e padre Cláudio Melo, em seu livro Fé e Civilização . Discorrendo sobre a capela de Nossa Senhora dos Humildes de Alto Longá, anotou: “Por volta de 1740 os moradores daqueles sítios se reuniram e levantaram a primeira capela de Nossa Senhora dos Humildes”. Em seguida, afirmou sobre Barras: “A primeira Capela de Barras foi construída mais ou menos no mesmo tempo em que se fez a de Humildes. É obra da piedade do Cel. Miguel de Carvalho e Aguiar”. [13] O mesmo Arraial Velho. [14] Manoel da Cunha Carvalho, posteriormente vendeu parte dessa fazenda a Antônio da Costa Oliveira e este, reservando para si uma parte, vendeu outra parte a Manoel Antunes da Fonseca. No entanto, Manoel Carvalho da Cunha, também reservou para si, pouco mais de uma légua de terras nesta fazenda, onde estava a capela de Nossa Senhora da Conceição. [15] Notas de David Caldas transcritas por Miguel de Sousa Borges Leal Castelo Branco, em seus Apontamentos Biográficos . [16] Também o comprador Manuel Antunes da Fonseca, reservou para si quase duas léguas de terras na mesma fazenda, vendendo para Antônio da Costa de Oliveira, uma porção com pouco mais de légua de comprimento e quase outro tanto de largura, o que comprova a grande extensão da área inicial da referida fazenda.

  • Leia Barras da Saudade e do Marataoã, coletânea de Elmar Carvalho.

    "A velha Rua Grande de Barras do Marataoã Elmar Carvalho Na minha meninice e adolescência, na época das férias escolares, algumas vezes fui passar dias em Barras; eu notava que estava chegando no momento em que o “horário”, do tipo gaiola, começava a descer a curva da ladeira. Logo eu avistava a ponte e a barragem, de margens então muito verdejantes. Às vezes, ao olhar para a direita, eu avistava um ou dois caminhões, que iam buscar areia ou barro para alguma construção. Sentia que a cidade trabalhava, que a cidade progredia. Ao deixar a estrada o ônibus entrava na Rua Leônidas Melo, e parava na agência, no centro da cidade. Algumas vezes eu ia passar dias em Ameixas, uma localidade rural perto da cidade, hóspede de dona Noca e João Cardoso, nossos parentes. Outras vezes ficava na cidade, acolhido por Salomão de Sá Furtado, primo de meu pai. Ele morava na antiga Rua do Fogo, cujo nome fora mudado para Leônidas Melo, em homenagem ao ilustre médico barrense, que governara o Piauí por dez anos. A Rua Marechal Taumaturgo de Azevedo, outrora chamada Rua Grande, lhe fica perto, e lhe segue paralelo até o centro da cidade, quando passa na frente da Prefeitura. Passava na frente da igreja velha e passa por trás da igreja atual, isto porque o vetusto templo católico, demolido, era voltado para o rio e para o poente, ao passo que o novo, construído em seu lugar, tem o frontispício direcionado para o nascente. Taumaturgo fora outro dos vários governadores, que nasceram na Terra dos Governadores, epíteto da velha urbe. Mas Barras não é apenas terra de governadores, mas também de marechais, generais, escritores, artistas e poetas. Poderia citar vários. Mas não o farei. Ficarei adstrito ao meu tema, que é a velha rua." Esse é um trecho de Barras da Saudade e do Marataoã, de Elmar Carvalho, uma coletânea com várias crônicas que o escritor de origem barrense, membro da Academia Piauiense de Letras e de outras instituições, organizou para homenagear a cidade natal de seu pai, Miguel de Carvalho. Leia o restante da crônica e outros textos escritos sobre Barras por Elmar Carvalho CLIQUE AQUI

  • Esta casa é sua!

    Na foto, Fernando Carvalho de Almeida à frente de sua residência e casa comercial, no centro de Barras. Foto do acervo do José Coriolano de Carvalho e Silva, sobrinho de Fernando, cedida gentilmente por Thais Cristina Cavalcanti. E ste projeto surge para dar voz às memórias do cotidiano e à secular história  rica de conquistas e tradições de Barras do Marataoã, município a 122 quilômetros ao Norte de Teresina-PI. Fatos, memórias, biografias, livros, registros visuais e orais, ensaios, artigos acadêmicos, textos didáticos, além das paisagens de todos os tempos e cantos do Município, ganham aqui uma vitrine para ecoarem longe, sob a curadoria de quem vive a cultura como missão. Mas não é um espaço que tem dono: o dono é todos aqueles que possuem interesse no passado deste lugar de belas paisagens e bonitas narrativas de superação e trabalho. Aqui, o registro de mais de 275 anos de existência ganha relatos em texto escrito, imagem, som. Memórias e histórias são ressignificadas por meio da escrita de quem registrou o passado de Barras do Marataoã em anotações escritas ou recordações até hoje vivas na oralidade pela simples permanência na ancestralidade da memória. Recortes de jornais, páginas da história, relatos orais e fotografias de mais de dois séculos e meio se preparam para viver o tempo como se pertencessem ao presente. Aqui, Barras do Marataoã se dá a conhecer ao mundo como patrimônio imaterial de sua paisagem e da história de sua gente. Em sua Terra Natal. Além Fronteiras. Prepare-se, para mensalmente, descobrir e compartilhar desta iniciativa que é sua. De todos que amam Barras do Marataoã com um amor que jamais fenece. Prepare-se para pertencer a Barras do Marataoã de um modo especial: sentir-se integrado a um tempo e a um lugar que é o da permanência da cidade em seu bem-querer. Prepare-se que essa aventura vai começar. Participe dela, com entusiasmo, compartilhando tudo que aqui se hospeda. Também contribuindo para que as novas gerações se sintam protetoras da bela história que Barras edificou em favor da igualdade e da transformação social. Esta página pertence a todas as gentes e a todos os tempos. Entre! A porta está aberta! Esta casa é sua!     Dílson Lages Monteiro, da Academia Piauiense de Letras Curador do Museu Virtual de Barras do Marataoã   .

  • Nascemos!

    Interior da antiga Matriz de Nossa Senhora Conceição, em Barras-PI e imagem parcial da praça Senador Joaquim Pires, de Barras-PI Esta iniciativa é fruto de uma história. Uma história de leitura, pesquisa e pertencimento. Não tem vinculação político-partidária, ou melhor, é de todos os partidos e crenças. Nem vínculo com quaisquer intenção que não seja a divulgação de um dos principais patrimônios de Barras-PI, sua história secular. Nascemos pelo estímulo natural de bem-querer ao lugar de nascença. De onde nunca nos desgrudamos enquanto houver a memória, enquanto a vida pulsar em narrativas. Mesmo, às vezes, distante fisicamente. Nascemos porque, desde sempre, pesquisar e documentar passagens expressivas do cotidiano barrense está em nós. Neste Museu Virtual de Barras do Marataoã, os mais diversos arquivos da memória e da história de Barras de todos os tempos encontram espaço. Fotos, vídeos, livros, áudios e as mais diversas representações que sirvam como suporte para a compreensão do significado social e coletivo de um lugar rico de belezas naturais e exemplos de fé, superação e trabalho pulsam aqui. Nascemos para morar em seu coração. Dílson Lages Monteiro Curador do Museu Virtual de Barras do Marataoã #museuvirtual

  • 210 haicais inspirados na natureza de Barras do Marataoã

    Dílson Lages Monteiro. O haicai chegou ao Brasil com os imigrantes japoneses na segunda década do século XX. De lá até cá, encontrou terreno fértil. Nomes como Guilherme de Almeida, Paulo Leminski, Alice Ruiz, Millôr Fernandes, para ficar apenas em alguns da tradição escolar, fizeram do gênero uma forma de cultivar o estado zen e renovaram o modo de escrevê-lo. No Piauí, umas duas dezenas de poetas cultivam o haicai com certa regularidade. Inserimo-nos entre eles, na última década, escrevendo regularmente poesia desse matiz. Agora lançamos um novo livro no segmento: Estação Natureza. Nele, a natureza de Barras do Marataoã é toda sensação em poemas como estes: Sobre nossos haicais escreveu o crítico Carlos Evandro Martins Eulálio: “(...) Dilson Lages reúne haicais no estilo tradicional ou clássico, com temática variada: o amor, a solidão, o sentimento da separação, reminiscências da infância, entre outros. Todo o livro é um canto à natureza, focado essencialmente na musicalidade poética. Em suas páginas, o eu lírico celebra o encanto da fauna e da flora piauienses, numa linguagem sensorial e imagística. Árvores, aves, frutas e flores perpassam nos haicais que evocam no leitor uma dada percepção sensória de um instante único e fugaz, conciso e reflexivo.”          Para adquirir,  faça pix de 30,00 reais (frete incluso), por meio da chave de pix dilsonlages@uol.com.br   Clique no QR Code e saiba mais.

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