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  • Águas Livres dos Rodrigues de Carvalho

    [*Valdemir Miranda de Castro] - especial para o Museu Virtual de Barras do Marataoã Ao prezado amigo Edgardo Pires Ferreira com a mais sincera estima e admiração. Fundada por volta de 1805, por José Rodrigues de Carvalho, a Fazenda Águas Livres, pertencia a Freguesia de Nossa Senhora do Carmo de Piracuruca. Localizada no atual município de Batalha, tem sua história ligada ao enlace dos Rodrigues de Carvalho com os Pires Ferreira.  Os Rodrigues de Carvalho do Piauí têm como ascendentes os irmãos Francisco e Domingos Rodrigues de Carvalho, militares, alferes de Infantaria do exército português, que vieram no início da ocupação portuguesa para a Capitania da Bahia. Este último foi nomeado por alvará em 1674, ao posto de Capitão pelo Visconde de Barbacena, governador geral do Brasil (PEREIRA DA COSTA, 1974, p. 43-4). Francisco, e seu irmão, comandante da companhia integraram a expedição de Francisco Dias de Ávila em incursões aos sertões do Piauí. José Rodrigues de Carvalho era irmão Joaquim Rodrigues de Carvalho e Amaro Rodrigues de Carvalho. Joaquim foi casado com Isabel Barbosa e pais de: Paulo, Prudente, Manoel, Antônio e Josefina Tereza de Jesus, todos Rodrigues de Carvalho (CASTRO, 2014, 449). [v. Fazenda Conservador]. José Rodrigues de Carvalho foi casado com Maria Tereza de Jesus, ela é muito provável que descenda dos Carvalho de Almeida, infelizmente, por falta de registro dos sobrenomes das mulheres, não podemos precisar seus pais, porém em vários registros eclesiásticos, encontramos seu nome ligado aos descendentes dos Carvalho de Almeida, sendo madrinhas de vários de seus sobrinhos e tendo uma filha como afilhada dos Carvalho de Almeida. Encontramos no livro de batismo de Piracuruca que em 08.11.1806, no lugar Saco de São Francisco, Freguesia de Piracuruca o pároco da freguesia batizou a CLARINDA, filha de José Rodrigues e Carvalho e Maria Tereza de Jesus, nascida a nove de outubro do mesmo ano, tendo como padrinho: Francisco Carvalho de Almeida e Maria de Jesus. José Rodrigues de Carvalho e Maria Tereza de Jesus foram pais dentre outros filhos de: Clarinda Maria de Jesus, Lina Carlota de Jesus e Carlota Lina de Jesus [Rodrigues de Carvalho]. De Clarinda já nos reportamos e veja mais informações sobre ela quando falarmos da Fazenda Beiru. Quanto a Lina Carlota de Jesus nasceu a 01.12.1811, na Fazenda Águas Livres, Freguesia de Nossa Senhora do Carmo de Piracuruca. Foi batizada a 04.01.1812 na Matriz de Nossa Senhora do Carmo, pelo padre José Remígio Ferreira. Foram seus padrinhos: o capitão Francisco Félix Narciso Castelo Branco e sua mulher dona Lina Maria de Jesus. Casou-se a 15.11.1825 na fazenda Águas Livres, no município de Batalha com Comendador Antônio Pires Ferreira que nasceu a 12.02.1799 no sítio Santo Agostinho, província do Maranhão depois Município de São Bernardo, atual Magalhães de Almeida e faleceu a 23.11.1877 no Engenho Paraíso, Município de São Bernardo no Maranhão. Filho de José Pires Ferreira e Marina de Deus Castro Diniz. O casal foi pai de dezenove filhos: Rosa Pires Ferreira, Angélica Pires Ferreira, José Pires Ferreira, Cassiana Lina Pires Ferreira, Carlota Lina Pires Ferreira, João de Deus Pires Ferreira, Columba Pires Ferreira, Antonio Pires Ferreira Filho, Carolina Pires Ferreira, Fernando Pires Ferreira, Maria de Deus Pires Ferreira, João de Deus Pires Ferreira, Manoel Pires Ferreira, Ana Lina Pires Ferreira, Manoel Pires Ferreira, José Pires Ferreira, Eulália Pires Ferreira, Lina Pires Ferreira. (PIRES FERREIRA, 1990, V. 4, p. 18 a 165]. Lina Carlota de Jesus faleceu a 06.08.1883 no Engenho Paraíso, sendo sepultada no cemitério velho da cidade de São Bernardo (MA). Sobre sua morte encontramos o seguinte registro: "No dia 06 do corrente... faleceu no seu Sítio Paraíso, no termo de São Bernardo, da Província do Maranhão, na idade de 73 anos, a exma. sra. d. LINA CARLOTA DE JESUS PIRES, viúva do comendador ANTONIO PIRES FERREIRA - é mãe do nosso prezado amigo dr. FERNANDO PIRES FERREIRA. Era a ilustre finada senhora de peregrinas virtudes, entre as quais sobressaia a de caridade, que cultivou com esmero despretensioso durante sua longa passagem por sobre a terra. Pertencia a uma das famílias mais distintas desta província, tornou-se mãe de numerosa prole, sobre quem exercia bem pronunciada e benéfica influência, já pela sua idade e já pelo prestigio de sua amável e venerada conduta em relação a quantos de si descendiam. “Aos nossos prezados amigos FERNADO PIRES FERREIRA, tenente JOSÉ FLORINDO DE CASTRO, FRANCISCO FLORINDO DE CASTRO, que a idolatravam e vos de mais parentes da ilustre finada, apresentamos as nossas condolências" JORNAL "A ÉPOCA", Teresina, ANO VII, Nº 318 de 23.08.1884, p.4. As famílias endogâmicas, tinham vários enlaces entre os primos. Duas filhas do Comendador Antonio Pires Ferreira e Lina, Cassiana e Carlota, se casaram com dois irmãos, José e Manoel Rodrigues de Carvalho, filhos de José Rodrigues de Sampaio [primeiro do nome] e de Josefina Tereza de Jesus, esta irmã de José Rodrigues de Carvalho. Cassiana Lina Pires Ferreira, nasceu em 1832 na Parnaíba e faleceu em Buriti dos Lopes. Foi batizada em 27.11.1832 na matriz de Parnaíba. Casou-se em 1851 no Engenho Paraíso com seu primo segundo, JOSÉ RODRIGUES DE SAMPAIO, [segundo do nome], Fazendeiro em Buriti dos Lopes. Coronel da Guarda Nacional. Filho de José Rodrigues de Sampaio [primeiro do nome] e Josefina Teresa de Jesus [Rodrigues de Carvalho]. Neto materno de Joaquim Rodrigues de Carvalho e Isabel Barbosa.  Foram pais de: José Pires Sampaio, Antonio de Sampaio Pires Ferreira, Fernando Pires Sampaio, Lina Cassiana Pires de Sampaio, Frederico Pires de Sampaio, João Pires de Sampaio. (PIRES FERREIRA, 1990, V. 4, p. 20-30]. Carlota Lina Pires Ferreira, nasceu a 17.11.1833 em Parnaíba e faleceu a 30.08.1884 na Fazenda Bacuri, no município de Buriti dos Lopes. Casou-se em 1855 no Engenho Paraíso com MANOEL RODRIGUES DE SAMPAIO [MANO] nasceu a 18.12.1830 e faleceu 31.12.1877 na Fazenda Bacuri. Filho de José Rodrigues de Sampaio e Josefina Teresa de Jesus [Rodrigues de Carvalho]. Neto materno de Joaquim Rodrigues de Carvalho e Isabel Barbosa.  Foram pais de: Lina Josefina Pires de Sampaio, Josefina Lina Pires de Sampaio, Carolina Pires de Sampaio, Cassiana Carolina Pires de Sampaio, Manoel Pires de Sampaio, Gervásio Pires de Sampaio, Antonio Pires de Sampaio (PIRES FERREIRA, 1990, V. 4, p. 31-44). Quanto à terceira filha, Carlota Maria de Jesus, nasceu por volta de 1808 na fazenda Águas Livres, no Município de Batalha e faleceu em 1847 na Vila de Piracuruca. Casou-se com FRANCISCO FLORINDO DE SOUSA CASTRO, [primeiras núpcias deste], nasceu 1810, no termo de Batalha, foi batizado a 11.10.1810, na Capela de Batalha, Freguesia de Nossa Senhora do Carmo de Piracuruca, pelo Pe. Domingos Dias Pinheiro, tendo como Padrinhos: Leonardo de Carvalho Castelo Branco e Ana Rosa Clara Castelo Branco (Livro de Batismo de Piracuruca de 1810); faleceu em 1887 na Vila de Batalha. Tenente da Guarda Nacional na Vila de Parnaíba. Dirigiu, em 19.06.1839, correspondência ao presidente da Província do Ceará, João Antonio de Miranda, pedindo socorro militar para Parnaíba, durante a Balaiada. (Revista do Instituto do Ceará, doc. 03, p. 255). Coronel Chefe da Legião da Guarda Nacional de Piracuruca, em 15.05.1846. (CASTRO, 2014, p. 216, 452). Foram pais de: Auta Inês de Castro [terceira do nome], José Florindo de Castro e Francisco Florindo de Sousa Castro [segundo do nome]. Francisco Florindo de Sousa Castro casou-se em segundas núpcias com ANGÉLICA AGOSTINHA DE ARAÚJO CASTRO, n. e f. em Batalha. Descendem do casal: Viriato Doriano de Araújo Castro, Doriano de Sousa Castro, Maria Madalena de Castro [Miranda] e Clementino Gomes de Castro. Auta Inês de Castro [terceira do nome] foi casada com o Capitão Jerônimo Gomes da Silva Rebelo, nascido em 1819 em Campo Maior e falecido em Batalha. Filho de José Gomes Rebelo e Umbelina Francisca do Rosário. Neto materno de José Carvalho de Almeida e de Francisca Castelo Branco (CASTRO, 2014, p. 229). José Florindo de Castro, nasceu em 1830 em Parnaíba e faleceu em Batalha, foi Tenente-coronel Comandante do Batalha da Guarda Nacional em Batalha. Primeiro Intendente da Vila de Batalha. Deputado a Assembleia Provincial na 21ª legislatura de 1876 a 1877, foi casado com Ignês Maria da Silva Castro, deixando vários descendentes em Batalha entre eles: Brígida, Marcolino, Cotinha, Carlotina, Lina, Inês, Castro Filho, Fernando e Rosa Inês de Castro. Francisco Florindo de Sousa Castro [segundo do nome], nasceu em 15.08.1838, em Buriti dos Lopes e ali faleceu a 18.06.1916, e ali foi sepultado. Tenente-coronel da Guarda Nacional. Casou-se a 07.01.1865, no Engenho Paraíso no Maranhão com sua prima materna, Ana Lina Pires Ferreira, nasceu a 01.08.1847, no Engenho Paraíso e faleceu em 22.05.1880 no Maranhão. Filha de Comendador Antônio Pires Ferreira e Lina Carlota de Jesus Rodrigues de Carvalho. Francisco Florindo de Sousa Castro casou-se, em segundas núpcias, a 29.12.1881, na Fazenda Bacuri, Município de Buriti dos Lopes, com a sobrinha de sua primeira esposa, CASSIANA CAROLINA PIRES DE SAMPAIO [Dona], nasceu a 15.06.1860, na Fazenda Bacuri, e faleceu a 24.03.1935, em Parnaíba. Filha de Carlota Lina Pires Ferreira (esta, irmã de Ana Lina Pires Ferreira) e de Manoel Rodrigues de Sampaio [Mano]. (PIRES FERREIRA, 1990, V. 4, p. 129 a 159). Maria Madalena de Castro Miranda,  foi casada com Antônio Guilherme Machado de Miranda, filho de José Amaro Machado e Ana Francisca de Miranda. Neto materno Francisco José Rodrigues e de Maria Rosa de Miranda. Bisneto materno do Cel. José de Miranda e Ana Maria de Mesquita. Trineto materno de Capitão Antônio Carvalho de Almeida e Maria Eugênia de Mesquita Castelo Branco (CASTRO, 2014, p. 224).  Águas Livres passou a família Quaresma de Melo, sendo adquirida por Salvador Quaresma Dourado de Melo, nascido em Piracuruca e falecido no termo de Batalha. Casado que foi com Idalina Rosa de Melo, filha de Diógenes Benício de Melo e Geracinda Rosa de Melo. Esta neta materna de Onofre José de Melo e Cecília Maria das Virgens, naturais de Pernambuco, fundadores da Casa do Desterro, na Freguesia de Piracuruca. Salvador Quaresma Dourado de Melo e Idalina Rosa de Melo foram pais de: Pussina Rosa de Melo, nascida em 1886 em Águas Livres. Casou-se civilmente em 08.01.1807 aos 21 anos com Joaquim José de Melo, nascido em 1886, morador do lugar “A Mais Tempo” em Barras, filho de Prestetato José de Melo e de Georgina Quaresma de Melo. Neto materno de Miguel Quaresma Dourado, nascido em 1817, irmão de Agostinho Quaresma Dourado, casado com Eduarda Francisca Castelo Branco, moradores da Fazenda Palmeira na Freguesia de Piracuruca. Atualmente Águas Livres é propriedade dos herdeiros de Matias Quaresma de Melo, nascido a 29.10.1891 em Batalha e falecido a 03.03.1963 em Batalha. Casou-se em três núpcias, sendo as terceiras com Saturnina Braga de Melo, nascida a 22.03.1928 e falecida a 14.04.1998.   Valdemir Miranda de Castro é professor e bacharel em direito, atualmente é secretário da Educação em Esperantina-PI, sua terra natal. Contato:  86 9952-0051

  • José Fernandes do Rêgo e a pergunta de abril

    [Dílson Lages Monteiro - curador do Museu Virtual de Barras do Marataoã] Em abril, postamos aqui a imagem de um barrense de bonita trajetória, cujo empenho e talento às causas que abraçou o dignificaram como ser de expressão. Então, pedíamos que ele fosse identificado a partir de sua foto, com algumas breves pistas de sua história profissional. As respostas que nos chegaram por e-mail não foram capazes de nominá-lo. Vamos a resposta final: ele nasceu em Barras, em 1923 , e faleceu no Rio de Janeiro, em 1980 . Filho de Antenor de Castro Rêgo e Zila Fernandes do Rêgo, registra o historiador e antologista Wílson Carvalho Gonçalves: José Fernandes do Rêgo (1923-1980). Foto O Dia "Formado pela Faculdade Nacional de Veterinária, Zoologista. Naturalista. Professor de Cultura Técnica da Universidade Federal do Brasil" (2006:161). Mas foi o jornalismo que o celebrizou, escrevendo tanto em jornais do Rio de Janeiro, quanto na imprensa piauiense. Diz ainda Wilson Gonçalves, em Chão de Estrelas da história de Barras: "Jornalista combativo, vigoroso e articulista político de muita sensibilidade. Mantinha uma atuação de combate ao movimento revolucionário de 1964, que lhe valeu a prisão e torturas. Teve passagem marcante na imprensa nacional, cujos trabalhos eram escritos numa linguagem crítica e mordaz. No Piauí, militou nos jornais O Dia, Diário do Povo e no A Luta. Atuou como articulista do Diário de Notícias e Correio da Manhã, ambos órgãos da imprensa carioca. Na administração pública exerceu importantes cargos: assessor do Ministro da Agricultura (1962-1964) e superintendente do Zoológico do Rio de Janeiro" (ibidem). Um passeio pelo jornais das décadas de 1950 e 1960, sobretudo, despertará atenção para seu nome e a colaboração regular e substancial de José Fernandes do Rêgo.. Um estudo detalhado da escritura dele revela grande interesse pelas questões sociais de seu tempo, com foco nos causas coletivas e demandas do Piauí, do Brasil e do Mundo. Em nota, o Jornal do Piauí, em 23.08.1953, informa e parabeniza sobre importante artigo do jornalista sobre O Babaçu no Boletim de Expansão Comercial do Brasil em Nova York: Jornal do Piauí, em 23.08.1953 Trabalho sobre o Babaçu O Boletim do Escritório de Expansão Comercial do Brasil, em New York, número de junho, transcreveu, em inglês, oportuno artigo sôbre a importância econômica do babaçu, escrito pelo jornalista piauiense José Fernandes do Rêgo. Ao jovem conterrâneo, que já se tem projetado com inteligência, na imprensa carioca, enviamos cumprimentos pelo merecido destaque. Jornal do Piauí, em 23.08.1953 Este Museu Virtual catalogou um número significativo de publicações de José Fernandes, tanto publicadas no Rio de Janeiro como no Piauí. Para que o leitor tenha uma visão do que ele escreveu e como escrevia, selecionamos artigo que, passados 80 anos, continua atual. Nele, José Fernandes desperta reflexões para a importância de descentralizar os investimentos em áreas menos desenvolvidas, então, como o Piauí, aludindo ao lugar na história do Estado de dois paulistas: Domingos Jorge Velho, para alguns desbravador das conquistas portuguesas, para outros um facínora que trucidou tribos indígenas pela ganância do vil metal; e o naturalista Francisco Igresias, que registrou a fauna e flora da gente piauiense, legando obra de valor para a sociologia e para a história. Ei-lo em versão original e em transcrita. O Dia, 20.11.1953 DOIS PIONEIROS PAULISTAS J. Fernandes do Rêgo QUANDO, em meados do século XVII, as contingências econômicas e as necessidades de defesa militar impuseram o descobrimento do caminho por terra para o Maranhão, coube ao paulista Domingos Jorge Velho revelar ao Brasil as novas terras que constituem, hoje, o Estado do Piauí. Passados três séculos, outro paulista, Francisco de Assis Iglésias, tão distinto daquele famoso bandeirante, na indumentária e nos instrumentos que maneja, pois se apresentou no cenário piauiense com uma seringa hipodérmica, com seu bisturi de tanderemista, uma caixa de quinino e com seu lápis e caderno anotando e fazendo a sistemática das plantas e dos animais, chama de novo, a atenção do Brasil para o distante Piauí, publicando, na "Brasiliana", um interessante trabalho intitulado "Caatingas e Chapadas", onde a flora, a fauna e os problemas piauienses são analisados com critério e sabedoria. Os dois ilustres paulistas que, em épocas tão distintas aparecem no "hinterland" piauiense tinham objetivos muito diversos: Jorge Velho era o bandeirante avassalador, já celebrado em Palmares, — subjugador de homens com o seu laço e o seu trabuco, conquistador de sesmarias, cheio de audácia e de bravura na busca da fortuna; o doutor Francisco Iglésias, um jovem homem de ciência que visitou o nosso Estado com o objetivo de pesquisar — lhe a flora e a fauna, de conhecer as reservas minerais e as possibilidades econômicas e sociais, de interessar as autoridades e o meio aligado, apresentando sugestões úteis, de recomendar experiências fecundas, enfim, de contribuir com sua força de idealista e de técnico para o bem estar e progresso do nosso povo. Entre ambos, se bem que distintos na forma de pensar e de agir, há, entretanto, um elo de ligação: a sua condição de pioneiros; o primeiro, como desbravador de um caminho novo, o segundo como um guia certo de novas trilhas; o primeiro, como homem que veio abrir, pelo fogo e pelo sangue, a picada das entradas e bandeiras, o segundo como missionário que veio despertar o sertanejo para a esperança de uma vida melhor e para a luta construtiva que conduz à prosperidade e ao bem estar. Ambos vieram, portanto, do Sul do País. Ambos são filhos de São Paulo. Ambos acorreram a este Nordeste abandonado, em busca do seu melhoramento e fortuna; o cientista, procurando realizar obra duradoura de estudo e de pesquisa, e de abertura de novos rumos para a técnica e a civilização brasileiras nas áridas, porém férteis e ricas, terras nordestinas. A sociedade piauiense, por iniciativa do "Clube Teatral 4 de Setembro" e do "Diário do Piauí" e sob a direção entusiasta de Erivaldo Borges, soube reconhecer o valor do gesto do técnico paulista, promovendo uma semana de palestras, de debates, de exames e de meditação em torno da mensagem contida no seu livro e das sugestões dele emanadas. Desse gesto, resultará, por certo, uma fecunda sementeira de melhoramento e de progresso. E, ainda uma vez, São Paulo veio ao Piauí, não pela espada de um guerreiro, mas pelo cérebro de um técnico; não pelo fogo e pelo sangue, mas pela inteligência e pela razão. Não quero terminar estas ligeiras divagações que me cabe fazer sôbre o trabalho do doutor Iglésias e sôbre a obra do bandeirante Domingos Jorge Velho sem dizer que ambos nos são caros. Um, pela descoberta e desbravamento desta região, violenta, difícil, porém cheia de possibilidades econômicas e sociais; o outro, pela propaganda de suas riquezas, pela exaltação das suas belezas naturais, pela análise de seus problemas e pela sugestão de soluções técnicas, que nos sirvam de roteiro no caminho da evolução e do progresso. Ambos, aliás, são dignos do nosso respeito e da nossa gratidão. Ambos, com suas atitudes distintas, significam, para o Piauí, o mesmo Damasco lendário do Apóstolo. Um e outro vieram revelar-nos, de maneira diversa, o caminho de Damasco. O Dia, 20.11.1953 José Fernandes do Rêgo, um barrense de todos os tempos, neste Museu Virtual de Barras do Marataoã.

  • Crônica de Frederico Rebelo: "O Coronel que teimou com o Sapo"

    (*) Frederico Antônio Rebelo Torres Na vastidão das matas piauienses, nos idos anos de 1902, onde o tempo parecia escorrer lentamente entre os galhos retorcidos das árvores e o canto dos pássaros se confundia com o sussurro do vento, vivia o Coronel Antônio Gomes Rebello. Homem de posses e prestígio, filho de Laurentino Gomes Rebello e Maria Madalena da Paz Borges Leal, era conhecido, ele e sua família, por sua teimosia inabalável e por manter a palavra com a rigidez de um contrato selado em sangue. Casado com a bela Idalina Frederica de Jesus Rodrigues dos Santos, mulher de fibra e fé, filha do poderoso casal Capitão Frederico José Rodrigues e Anna Joaquina de Jesus, o Coronel Antonio levava uma vida regrada na Fazenda Bacuri, situada entre as localidades de União e Barras. A propriedade, embora próspera, era isolada, e os recursos médicos escassos. Túmulo de Laurentina Maria da Paz Borges Leal Rego, irmã do coronel Antônio Rebelo. Cemitério de Miguel Alves. Fonte: parentesco.com.br Acervo de Torquato Torres. Certa noite, durante o rigoroso inverno nordestino, Idalina Frederica entrou em trabalho de parto. As chuvas incessantes transformavam os caminhos em trilhas lamacentas, e os trovões pareciam anunciar presságios. Preocupado com a saúde da esposa e do filho que estava por vir, o Coronel decidiu buscar ajuda na cidade deixando sua amada aos cuidados de sua irmã Laurentina Maria da Paz Gomes Rebello. Montado em seu fiel cavalo, Trovão, partiu sob a tempestade, enfrentando as veredas alagadas e os ventos cortantes. Enquanto avançava, seus pensamentos se voltavam para o compadre, que deveria ter providenciado uma segunda parteira. Em meio à escuridão, sozinho e montado no cavalo questionou em voz alta: — Será que o compadre foi? Nesse instante, um coaxar distinto rompeu o silêncio: — Foi-não-foi. Surpreso, o Coronel parou. O som parecia vir de um sapo oculto nas sombras. — Foi ou não foi? — Foi-não-foi. A teimosia do Coronel foi posta à prova por aquele anfíbio insolente. Sentindo-se desafiado, desceu do cavalo e, armado com seu alfanje, adentrou a lagoa em busca do sapo. A noite avançava, e o Coronel, imerso na água fria, cortava as ramagens, determinado a encontrar o provocador. Ao amanhecer, os trabalhadores da fazenda o encontraram exausto, ainda na lagoa, murmurando para si mesmo. Levaram-no de volta à casa, onde soube que Idalina Frederica havia dado à luz a um menino saudável, Frederico Rodrigues Rebello. O Coronel, porém, passou dias recolhido, abatido não pela febre, mas pela humilhação de ter sido vencido por um sapo. Desde então, evitava falar sobre aquela noite, e os moradores da região, em sussurros, contavam a história do homem que desafiou a natureza e foi derrotado por sua própria teimosia. (*) Frederico A. Rebelo Torres, escritor, membro de diversas instituições culturais, entre as quais, União Brasileira de Escritores. Alval e Academia Miguelavense de Letras, da qual é presidente.

  • 21 de junho: Osmália Lira lança

    Lançamento acontece em 21 de junho, às 19h, no Auditório Monsenhor Lindolfo Uchoa . Capa de pelos Caminhos da Vida, de Osmália Lira. Evento é uma organização do Coletivo de Leituras Barras do Marataoã, da SEMED E SECULT BARRAS.

  • Elmar Carvalho: Barras das 7 Barras

    Poema de Elmar Carvalho, da Academia Piauiense de Letras e da Academia de Letras do Vale do Longá .

  • Breves reflexões sobre a identidade de Barras do Marataoã

    (*)Dílson Lages Monteiro Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Barras do Marataoã-PI. Supõe-se que, de conhecimento público, este seja um dos primeiros registros fotográficos do templo, em fins do século XIX ou início do século XX. Provavelmente, concebido em colódio ou gelatina/prata. Observa-se influência do barroco tardio ou neoclássico. O templo tem cúpulas cônicas, com janelas retangulares nas torres e na nave central, remetendo à funcionalidade e à ventilação típica da arquitetura tropical, adaptada ao calor do Piauí. Observam-se poucas construções ao redor, sem calçamento, uma Barras semirural. O enquadramento da foto focaliza duas árvores, de certo, ponto de encontro dos fiéis. (*)Dílson Lages Monteiro Cumpre-nos, inicialmente, destacar de que lugar social materializamos esta fala. O lugar é o do texto, mas especificamente, o do discurso, elaborado por meio de interditos e da relação entre léxico, sintaxe e enunciação; entendido, aqui, a partir do pensamento de Pêcheux, sob influência marxista:             “(...) toda formação social se caracteriza por certa relação entre as classes sociais e implica a existência de posições ideológicas e políticas que se organizam em formações, que mantêm entre si relações de confronto e antagonismo, de aliança ou dominação” (apud MUSSALIM: 54-55). Entendamos , conforme estabelece Pêcheux, que “Cada formação ideológica constitui um conjunto complexo de atitudes e de representações que são nem “individuais” nem “universais”, mas se relacionam mais ou menos diretamente a posições de classes em conflito umas com as outras” (ibidem) . De que maneira nós, barrenses, constituímo-nos como comunidade imaginada? Valemo-nos, aqui, das explicações de STUART (2006: 50-51), ao analisar o conceito de cultura nacional: “As culturas nacionais são compostas não apenas de instituições culturais, mas também de símbolos e representações. Uma cultura é um discurso – um modo de construir sentidos que influencia e organiza tanto nossas ações quanto a concepção que temos de nós mesmos. (...) Esses sentidos estão contidos nas estórias que são contadas sobre a nação, memórias que conectam seu presente com seu passado e imagens que dela são construídas”. Posto isso, a partir de orientações de Stuart (2006:52) questionemos: que narrativa de cidade é contada e recontada pela história oficial, pela literatura, pela mídia, pela cultura popular? Quais estórias, imagens, panoramas, cenários, eventos históricos, símbolos representam as experiências partilhadas, as perdas, os triunfos? Enfatizamos as nossas origens e as tradições? Sentimo-nos integrados a essas representações? Qual a importância delas à nossa vida cotidiana? Para examinarmos, pois, a construção social da identidade de Barras, motivo destas notas no ano da graça de 2025, quando a cidade festejará 184 anos, considerando que o nosso papel é o do analista de textos, buscamos compreender representações ideológicas construídas social e culturalmente pela escrita da história, do memorialismo, da genealogia,  do jornalismo e da literatura. Interessa-nos, enfatizamos, o texto, a compreensão das formações discursivas mais corriqueiramente empregadas entre os barrenses para definir uma cidade e sua gente. Avenida Beira Rio e o rio Marataoã, na zona central de Barras. Para grande número de barrenses, Barras é os rios, a igreja, a vida rural (ou os resquícios dela), enfim, suas tradições. A força desses elementos, arraigados à formação de sem número de aglomerados urbanos brasileiros, determinou ações, comportamentos e valores. A presença viva da fé e da igreja católica, que, inclusive, ganharam livro de memórias de autoria de Antenor Rêgo Filho, aparecem recorrentemente na organização do dia a dia. Muitos medem o fim do ano pela festa da Padroeira, ou o confundem com o próprio findar do ano. Ela é destaque nas paginas dos jornais. Figura, por exemplo, nas páginas de  O tempo, em 1930. Nele, lê-se: A grande festa da padroeira de Barras Prometem desusado brilhantismo os festejos com que se comemorará, este ano, o dia da excelsa virgem da Conceição. “Notícias procedentes de Barras dizem que são intensos e excepcionais os preparativos para a festa, deste ano, da milagrosa Padroeira da cidade a iniciar-se no dia 29 do corrente mês e a terminar a 8 de dezembro. Barras, em peso, na mais perfeita identidade de vistas, se empenha com raro entusiasmo, para que o dia da Virgem da Conceição se revista de indescritível esplendor. O ilustre vigário pe. Lindolpho Uchoa numa atividade admirável percorre em propaganda o interior do município, tomando extraordinário interesse no sentido de que a festa deste ano exceda com brilhantismo a dos anos anteriores. (...)” Os rios são, sem dúvidas, outro elemento que bem nos identificam. Para quem, por exemplo, viveu em Barras nas décadas de 1970 e 1980, seria quase impossível buscar a cidade da memória e não se remeter a imagens de numerosos grupos em lazer no Marataoã e no Longá, à abundância de lavadeiras em todo o percurso, à margem daquele rio, na zona central; ao fervor com que se comemoravam os festejos de Nossa Senhora da Conceição, um fervor que se fortalece na preservação repetida da tradição; à força do extrativismo vegetal em seus últimos suspiros como atividade econômica forte na economia local, assim como à criação extensiva de gado. Os rios, a igreja, a vida rural... Também, historicamente, uma cidade com espaços sociais demarcados pela injustiça social, que força a migração em busca de oportunidades de emprego, educação e bem-estar. Os rios, a igreja e a vida rural fundamentam as bases de nossa fundação como comunidade. É sabido que a David Caldas devemos os primeiros estudos registrando a história e a geografia de Barras, conforme ressalta Miguel de Sousa Borges Leal Castello Branco em seus Apontamentos biográficos de alguns piauienses ilustres e de outras pessoas notáveis que ocupam cargos de importância na província do Piauí , de 1878, ao reproduzir texto de Caldas, publicado em O amigo do povo, no ano de 1871: “Em meados do século passado, o coronel Miguel de Carvalho de Aguiar, natural da província da Bahia, começou a edificar aqui uma capela, a qual não foi logo acabada por ter falecido o seu fundador. Em 1759, tendo vindo a este lugar um missionário, frei Manuel da Penha ou frei Malagrida, com a sua palavra evangélica, concorreu para que Manuel da Cunha Carvalho e outros fiéis tratassem de concluir a capela supramencionada, que até então só tinha o presbitério coberto e o mais não passava de alicerces ou começo de paredes. A obra foi assim concluída em pouco tempo”. Acrescenta David Caldas: “Manuel da Cunha Carvalho legou por sua morte, Rs 150$000 para fundo de dotação da mesma capela, quantia que no tempo do padre Manuel Rodrigues Covete, foi recebida pelo administrador Manuel José da Cunha, sobrinho de Manuel da Cunha Carvalho, em 8 de dezembro de 1776 (...) Em 2 de abril de 1804, quando só haviam nesta localidade duas casas de telhas e seis de palhas, faleceu Manuel José da Cunha, legando a Nossa Senhora, orago da capela, a meia légua de terras que possuía na fazenda buritizinho (...)” Citando que, com a morte de Manuel José da Cunha a capela passa a ser administrada por Francisco Borges Leal Castello Branco, acrescenta ainda David Caldas: “A 22 de agosto de 1819, tomou conta da administração da capela José Carvalho de Almeida, o qual, em 14 de julho de 1831, lançou os fundamentos de uma nova capela, hoje matriz, ficando a antiga contida no recinto desta, a qual já ameaçava ruína e demolida em 1835” (apud CASTELLO BRANCO: 1878, págs. 37). Em seu artigo, publicado no jornal Amigo do Povo, escrevendo a cronologia da igreja católica e da própria organização da vida comunitária, anota ainda David Caldas: “A povoação das Barras foi ereta em distrito de paz, em virtude da lei provincial n.656 de setembro de 1836, e instruções da presidência da província de 9 de setembro do dito ano. Por lei n. 101 de 30 de dezembro de 1839, foi criada a freguesia e seus respectivos limites, por desmembração nas freguesias de Campo Maior e Parnaíba, marcados por portaria da presidência em data de 12 de novembro de 1840. Por lei 127 de 24 de setembro de 1841, foi elevada à categoria de vila, sendo instalada a 19 de abril de 1842, pelo major, depois coronel, Silvestre José da Cunha Castelo Branco (...), o qual deu posse à primeira câmara do novo município (...) A vila de Barras é assim chamada porque fica no centro de seis diversas barras de rios e riachos, a saber: a do Maratauã, que forma um poço de quatro quilômetros de extensão, com treze a dezessete decâmentros de largo, em frente da mesma”. (apud CASTELLO BRANCO: 1879, págs. 37-38) Nas últimas décadas, o registro de David Caldas passou por várias leituras e novas interpretações permitiram, a partir, principalmente, das contribuições da genealogia, entender com maior exatidão de que maneira ocorreram os assentamentos humanos nesta região. Graças, sobremodo, aos estudos de Edgardo Pires Ferreira, Afonso Ligório Pires de Carvalho, Gilberto Sodré Carvalho e Valdemir Miranda, esclareceu-se a movimentação intrafamiliar entre os núcleos Carvalho de Almeida e Castello Branco, principalmente, na formação do patriarcado rural piauiense.  As novas leituras permitiram que se pudesse, hoje, enxergar com exatidão como Buritizinho ou a povoação das Barras vai, entre outros fatores, por meio de laços de parentesco, constituindo-se tanto no século XVIII, quanto no século XIX. Hoje, essas descobertas ganhariam fôlego com um estudo minucioso do rol de fazendas da Antiga Barras ainda por se realizar com o rigor metodológico necessário.  A propósito das novas leituras sob o viés da genealogia a que aludimos e a título de ilustração, transcrevemos parte de artigo publicado no Portal Entretextos e reproduzido no jornal Diário do Povo. Nesse artigo, detendo-se na formação de Barras, a partir desse prisma, Gilberto de Abreu Sodré Carvalho esclarece: “Em meados do século XVIII, o coronel Miguel Carvalho de Aguiar, filho do famoso Bernardo, e assim parente do nosso José, começou a construir uma capela em louvor de Nossa Senhora da Conceição, nas terras da sua fazenda Buritizinho, em meio à povoação nascente chamada “das Barras”. Em 1759, sendo então terminada a capela em louvor de Nossa Senhora da Conceição, a fazenda Buritizinho passa a ser propriedade de Manuel da Cunha Carvalho, que se casara com sua prima residente no Piauí, de nome Isabel da Cunha e Silva Castelo Branco, filha de Manuel Carvalho de Almeida, referido acima, e de Clara da Cunha e Silva Castelo Branco. É provável que Manuel da Cunha Carvalho tenha sido titular da fazenda Buritizinho por conta de sua mulher e prima Isabel, a ter recebido de seu pai Manuel Carvalho de Almeida. É o que faz sentido, em vista de a região ter sido, de primeiro, ocupada por Manuel Carvalho de Almeida. Quando da morte de Manuel da Cunha Carvalho e de sua esposa Isabel da Cunha e Silva Castelo Branco, no mesmo ano de 1776, sem filhos, a fazenda Buritizinho e mais terras passaram ao sobrinho de Manuel, de nome Manuel José da Cunha. Para mais emaranhar a estória, esse Manuel José casou-se com uma prima, Inácia Teresa Pereira Castelo Branco, filha de Francisco da Cunha e Silva Castelo Branco (filho de Manuel Carvalho de Almeida) e de Ana Rosa Pereira Teresa do Lago (filha de Antônio Carvalho de Almeida, o velho). Ou seja, Inácia era filha de pai e mãe que eram primos primeiros, e prima do nosso José, esse também neto de Antônio Carvalho de Almeida, o velho. Manuel José e Inácia não tiveram filhos. Inácia morreu em 1802 e Manuel José, em 1804. Por testamento e atos paralelos, estando doente, logo antes de sua morte, Manuel José nomeou procurador e administrador de seus bens ao seu parente Francisco Borges Leal Castelo Branco, marido e primo de Teresa Rosa do Lago Castelo Branco, irmã inteira de sua mulher Inácia. Não está claro, mais é de se entender, que a fazenda Buritizinho, que circundava a povoação de Barras, foi passada a Teresa Rosa, irmã inteira de Inácia, ficando seu marido Francisco como procurador e administrador enquanto Manuel José vivesse. Outra sucessora de Manuel José e Inácia foi, assumo, a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, a qual foi a mantenedora da igreja, sob a orientação de Francisco Borges Leal Castelo Branco.   Fato é que, Francisco Borges Leal Castelo Branco e Teresa Rosa do Lago Castelo Branco têm uma filha, a quem chamam Francisca, que vai assumir, em documentos, o nome inteiro Francisca Castelo Branco. Ela se casa com o nosso José Carvalho de Almeida. Como era de se esperar, José Carvalho de Almeida, por efeito de ser casado com Francisca se torna dono da fazenda Buritizinho e responsável, autoassumido, pela vila e pela igreja de Nossa Senhora da Conceição, pelo fato de suas terras as circundarem. Pelo que se sabe, apega-se à igreja, como devoto. Isso tudo ocorre por volta de 1819.” O estabelecimento desses grupos familiares e de outros com eles relacionados encontra na atividade agropastoril, sobretudo na criação do gado, elemento determinante da atividade laboral. Diga-se de passagem que a pecuária foi atividade econômica principal do Piauí do século 18 e ainda vigoraria como um dos principais aspectos identitários no século 19. A isso se relaciona o estabelecimento de membros da Companhia de Jesus, praticando pecuária, conforme ressalta Carvalho (2007: 57) “Sem perda de tempo, a partir de 1711, logo depois de tomar posse na terra,  chegaram à Capitania padres curraleiros, e não agricultores ou botânicos. Um motivo maior, de caráter tecnológico, deve ter orientado essa decisão dos religiosos. Não se pode desconhecer o quanto foi importante e profícua a presença dos jesuítas na pecuária, até ocorrer o sequestro dos bens dos religiosos, quase 50 anos depois de terem sido doadas por  Afonso Mafrense”. Dito isso, constata-se que a origem de Barras como assentamento humano é o curral e a igreja, a que se agrega, de maneira fundamental para a permanência humana, a abundância de água em seus vários veios, infelizmente, ao longo da história, ainda não alvo de políticas públicas eficazes. A importância, por exemplo, do Marataoã está expressa, muito além da lembrança de quando ouvimos o nome da cidade, absorvida formalmente em sua própria designação, por ocasião de sua elevação de Barras à categoria de cidade em 1889, com o nome de Barras do Marataoã. Durval de Carvalho e Silva, Advogado barrense radicado em Pompeia, onde ocupou por várias legislaturas assento no Legislativo Municipal. Fonte: Parentesco. Acervo Elisabeth Mendes de Carvalho e Silva. Mais do que uma simples localização geográfica, as reminiscências do rio evocam, para quem, como nós, que vivemos  em Barras nas décadas de 1970 e 1980, a figura de grandes invernos com as margens lambendo quintais de casas com violência; grandes piranhas, vermelhas e pretas, pescadas em abundância e toda sorte de peixes hoje raros em suas águas, alguns até definitivamente desaparecidos, como preconizara em carta, datada de 1974, o advogado barrense Durval de Carvalho e Silva, domiciliado em Pompeia-SP. Dirigindo-se aos familiares, por correspondência, profetizou:  “O Francisco ainda está pescando? Deve ele ser mais comedido, pois o nosso Marataoã é pequeno”, e sem dúvida, não tem condições de “armazenar” tanto peixe” . Registre-se que o Francisco referido é o fazendeiro e liderança política Francisco Luís de Carvalho e Silva, chefe do Executivo Municipal entre 1951 e 1954. Em sua gestão, edificou-se uma das expressivas obras de infraestrutura de Barras, a Barragem do Pesqueiro, obra que favoreceu não apenas o abastecimento de água, mas também a pesca e o lazer. Rio Marataoã, na altura da Barragem do Pesqueiro. Foto: Google Imagens, sem autoria revelada. Em nossa memória, o rio, ou os rios, é, ainda, a figura quase escassa de um trabalhador, visto hoje quase exclusivamente em motocicleta em comunidades rurais, o vendedor de peixes de porta em porta. Sua presença era rotineira nos invernos: de cabo de madeira sobre o ombro, segurava firme o peso dos cambos de peixes nas duas extremidades e o inconfundível bordão cortando a atmosfera: “Olha o peixe! Olha o peixe! Mandi, piau, surubim!”. O rio Marataoã sempre se constituiu em patrimônio imaterial de destaque não apenas aos que aqui nasceram, mas também aos que passam por este chão. Recordando férias em Barras, na década de 1940, o professor da Universidade de São Paulo, piauiense Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro, ressalta em seu livro de memórias sobre a Rua da Glória, em Teresina, o fascínio pelas águas calmas do rio. Relatando sua hospedagem em pensão situada na praça da Matriz, comenta: “A pensão de D. Sinhazinha , ficava nessa praça, o coração da pequena cidade, pois nela estava a igreja matriz de N. S. da Conceição, padroeira da cidade. Esta era pequena e descalça, mas muito tranquila e limpa e tinha uma graça especial, como o rio Marathaoan, que serpenteava pela planície, alargando-se mais ou menos em frente à matriz e formando uma ilha muito pitoresca, onde os habitantes organizavam pequeniques e chamavam de Ilha dos Amores”. (p.262-263) Diz ainda prof. Carlos Augusto Monteiro: “O Marataoã era, ao tempo de minhas férias, a principal atração. Todas as manhãs, entre o café e o almoço, a garotada em férias e mesmo os rapazes da cidade reuniam-se para o banho. (...) Os homens tinham o seu ‘porto’ mais a montante. Abaixo, a uma razoável distância de uma meia légua, já fora da cidade, ficava o porto das lavadeiras” (ibidem). Quem, entre os barrenses, naturais ou de afeto, não guarda no peito e no pensar uma lembrança amável desse rio?   *** Entre as imagens reconstruídas pela memória de uma cidade, imagem da qual se orgulham os barrenses, tanto crítica como alienadamente, está a de que Barras é “Terra de Governadores e Intelectuais”.  O que isso diz verdadeiramente sobre o chão em que nasceram os governadores? O que isso diz sobre a cidade que consta como uma das que mais ocuparam assentos na Academia Piauiense de Letras ao longo de mais de 100 anos de existência da entidade?  Como isso se incorporou à vida coletiva? Do ponto de vista da vida cotidiana, o epíteto, embora motivo de autoafirmação das narrativas sobre o lugar, não expressa, de fato, a valorização das tradições como capital cultural. Historicamente, raras são as práticas vinculadas à memória que utilizam essa narrativa para validar a autoestima ou comportamentos sociais propositivos úteis ao crescimento coletivo. Essa tradição de poder político e intelectual do passado é apenas narrativa de livros e da memória oral de uns poucos, dito da boca para fora ou mais vinculada à identificação da cidade para além da barragem do rio Marataoã do que nas ribeiras desse rio. Antes de lançarmos hipóteses em resposta às formulações levantadas, a fim de mantermos a unidade do raciocínio ora desenvolvido, tomamos como definição de identidade a noção de sujeito sociológico, explicada por STUART (2006: 11). Segundo esclarece, referindo-se aos interacionistas simbólicos, o sujeito é “(...) formado na relação com outras pessoas importantes para ele, que mediavam para o sujeito os valores, sentidos e símbolos – a cultura – dos mundos que ele/ela habitavam”. Portanto: “(...) a identidade é formada na interação entre o eu e a sociedade. O sujeito ainda tem um núcleo ou essência interior que é o “eu real”, mas este é formado e modificado num diálogo contínuo com os mundos culturais “exteriores” e as identidades que esses mundos oferecem” (idem). A identidade e a história de Barras, as oficiais, são representadas, contadas e decantadas, principalmente, a partir do lugar simbólico de um rio, de uma igreja, da vida rural, mas também da história e narrativas de seus filhos ausentes. É a história dos feitos deles, geralmente, em outras paragens. História de heroísmos, bravura, liderança e coragem. Essa imagem, envolta em romantismo, tem sua origem ancestral na figura medieval do desbravador português, não na história das conquistas a ferro e fogo; na figura do vaqueiro destemido, não na do homem usurpado em sua condição humana; na figura dos coronéis empreendedores, não na do jogo de forças em que o poder era exercido por quem mandava mais. O heroísmo, a bravura, a liderança e a coragem propaladas como tão naturais nossas (às vezes, genuína; às vezes, imaginada para reforçar uma identidade calcada em valores ilusórios) está no voluntariado da Guerra do Paraguai (nem tão voluntário assim...), na fundação de uma sociedade libertadora de escravos, adiante de seu tempo, referenciada por nomes como Odilon Nunes e Clóvis Moura, nas denúncias incontestes da injustiça social feitas por David Caldas, nos variados jornais em que esteve à frente, no poder exercido pela Oligarquia Pires Ferreira entre os anos de 1889 e 1930, na vitoriosa carreira política de um dos mais ilustres barrenses de todos os tempo, Leônidas Melo. Mais poderíamos refletir sobre a identidade de Barras, a real e a imaginada. Mas paramos por aqui, fazendo alusão, em digressão, com a permissão do leitor, a duas imagens construídas por dois viajantes estrangeiros que passaram por Barras. O primeiro deles, Paul Walle, em 1910, registrada em No Brasil, do Rio São Francisco ao Amazonas. Diz: Clássico de Paul Walle “Mencionemos ainda Barras, ou Barras do Maratuã, Humildes, Itamarati, cuja propriedade é relativa e o desenvolvimento, muito lento. Convém dizer que a população de toda essa parte do Piauí, como também a do Sudeste do Maranhão, é de uma apatia inconcebível. Eles não se parecem em nada com seus vizinhos cearenses. Lá se cultivam, empregando processos rudimentares, arroz, mandioca, feijão-preto, cana de açúcar, em quantidades apenas suficientes para o consumo local. A própria criação de gado, outrora praticada em grande escala, está em decadência” (WALLE: 2005: 245). Não acreditamos que o viajante se tenha despido da sua condição de estrangeiro em terras estranhas. Que tenha apeado do cavalo, olhado ao redor, abaixo do horizonte da vista. Que tenha admirado a abundância de vazantes e o que nelas se cultiva. Que tenha estabelecido algum contato pautado nas relações de igualdade e compreensão dos fazeres e práticas tão exclusivamente nossas. Que tenha conversado com a gente local de verdade. O segundo, o alemão LUDWING SCHWENNAGEM, que, conforme anota Moacir Lopes: Fenícios no Brasil (Antiga História do Brasil: de 1100 A.C a 1600 D.C.) “Já andava em 1910 percorrendo o Brasil e estudando as condições sociais do povo brasileiro” (SCHWENNAGEM:1970,13). Sobre ele, Moacir anotou em prefácio a Fenícios no Brasil ( Antiga História do Brasil – de 1110 A.C a 1500 D.C): “Em Teresina existe uma memória no povo de que por aqui passou esse alemão calmo e grandalhão que ensinava História e bebia cachaça nas horas de folga, andava estudando umas ruínas pelo Estado do Piauí e outros do Nordeste, e que chegou a Teresina no primeiro quartel deste século, não se sabe de onde, e morreu sem deixar rastro, não se sabe de quê, e andava rabiscando uns manuscritos sobre a origem da raça Tupi, lendo tudo o que era pedra espalhada por aí. Seu nome é tão complicado que muitos o chamam Chovenágua” (Ibidem) Registra SCHWENNAGEM (140-142):           “(...) As serras do município de Barras que flanqueiam o curso do rio Longá contém quartzo branco e quartzo preto em grandes blocos, o sinal de que naqueles morros existem filões auríferos. Além disso, existem ali nos rochedos dúzias de letreiros e sinais de mineiros, pintados com tinta encarnada. Os moradores da região confirmam que nos leitos dos riachos que vem das serras, acham-se muitas vezes, no fim do inverno, pequenas pepitas de ouro. Um velho ourives da cidade de Barras declarou ao autor que conhecia muitos Iugares onde se podia procurar ouro fino. (...) A respeito das minas auríferas de Barras, deve-se ainda constatar que ali não existem grutas com corredores indicando que os antigos mineiros já tiravam os filões do interior das serras. Eles tiravam o ouro só dos cascalhos e deixavam intactos os filões. Aí está uma perspectiva promissora para o futuro”. Onde estaria o ouro de Barras? Dílson Lages Monteiro, ficcionista, poeta e pesquisador, é membro da Academia Piauiense de Letras e curador do Museu Virtual de Barras do Marataoã.   Referências BRANCO, Miguel de Souza Borges Leal Castelo.  Apontamentos biográficos de alguns piauienses ilustres e de outras pessoas notáveis que ocupam cargos de importância na província do Piauí . Teresina, PI: [s.n.], 1878. CARVALHO, Afonso Ligório Pires. Terra do Gado: O Piauí Foi Colonizado na Pata do Boi.  Brasília: Thesaurus, 2007. CARVALHO, Gilberto de Abreu Sodré. As origens de Barras do Marataoã , acesso em portalentretextos.com.br , publicado em 20.07.2015. MELLO, Leônidas de Castro. Trechos do Meu Caminho . Teresina: Comepi, 1982. JORNAL O TEMPO. A grande festa da padroeira de Barras .1930. MELLO, Leônidas de Castro. Trechos do Meu Caminho . Teresina: Comepi, 1982 MONTEIRO, Carlos Augusto. Rua da Glória . Volume 4. Teresina: EDUFPI, 2015. MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina (Org.).  Introdução à linguística: fundamentos epistemológicos . São Paulo: Cortez, 2004. SCHWENNAGEM, Ludwing. Antiga História do Brasil – de 1110 A.C a 1500 D.C: Tratado Histórico . 2ª. edição. Rio de Janeiro: Cátedra, 1970. STUART, Hall. A identidade cultural na pós-modernidade .  tradução Tomaz Tadeu da Silva,. Guaracira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A, 2006 SILVA, Durval de Carvalho e. Correspondência ao irmão Francisco Luís de Carvalho e Silva. S/D. WALLE, Paul. No Brasil, do Rio São Francisco ao Amazonas. Tradução: Oswaldo Biato. Brasília: Senado Federal, 2006.

  • Zuca Lopes, o pioneirismo do barrense que transformou a história do transporte no Norte do Piauí.

    Ele começou a vida como maquinista de vapores no rio Parnaíba. No final da década de 1927, começaria a atuar como motorista de táxi e, em 1929, iniciaria uma vitoriosa trajetória nos transportes rodoviários no Piauí, ação que teria continuidade com os dois filhos, gerando a Empresa Zuca Lopes, um marco no transporte de passageiros e mercadorias no Norte piauiense. Conheça a história de Zuca Lopes, em reportagem da Gazeta do Comércio, ano VI, número 154, Orgão da Associação Comercial Piauiense, outubro de 1996. Clique na imagem para ampliar o texto.

  • José Carvalho de Almeida e a formação histórica de Barras do Marataoã

    1a. Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Segundo relato de historiadores que foram testemunhas oculares da história do século XIX, construída por José Carvalho de Almeida . Entre os que registraram que o templo nasceu da fé e do empenho do coronel José Carvalho de Almeida, está David Caldas, primeiro historiador de Barras do Marataoã. Os mais antigos registros de imagens do templo são do final do século XIX. No traçado arquitetônico, as duas torres, três portas frontais e o tom sóbrio que caracterizam as construções religiosas do século XIX. Nas primeiras décadas do século XX, segundo relatos da memória oral, sob liderança religiosa de Monsenhor Bozon, criou-se as condições para uma grande reforma no templo, ampliando-o ao fundo: construiu-se o altar-mor que vigorou até a absurda demolição da igreja em 1963-64. Foto de autoria desconhecida. Vê-se que a imagem é anterior à pavimentação da praça da Matriz. Por Gilberto de Abreu Sodré Carvalho   José Carvalho de Almeida nasceu, em 1770, no então vastíssimo município do Campo Maior do Surubim, chão que seria tempos depois do município de Barras do Marataoã. Barras era um povoado. José morreu em 16 de julho de 1869, com noventa e nove anos. O pai de José chamava-se Antônio Carvalho de Almeida; sua mãe, Ana Maria da Conceição Rodrigues de Carvalho. Teve um irmão inteiro, Francisco Carvalho de Almeida. Antônio, pai de José, era filho de Antônio Carvalho de Almeida, o velho, e de Maria Eugênia de Mesquita Castelo Branco. Antônio, esse último, foi dos grandes proprietários e homens de poder, no final do século XVII e início do XVIII, na região que passaria a ser a capitania do Piauí, em especial na bacia do rio Longá. A importância dos Carvalho de Almeida, no começo do século XVIII, foi maior que a de qualquer outro grupo familiar. Ocorreu de, à direita do rio Parnaíba, cinco irmãos ambiciosos, sobrinhos do famoso Bernardo Carvalho de Aguiar, se terem ajudado intensamente, sob a orientação, suponho, do referido tio Bernardo. Eles foram, como militares: Manuel Carvalho de Almeida, lugar-tenente de Bernardo, capitão da Conquista da terra dos indígenas e grande proprietário; e Antônio Carvalho de Almeida, o velho, avô de José, acima já referido, capitão-mor e também senhor de terras e currais em abundância. A esses dois irmãos militares do rei, somavam-se três sacerdotes católicos, todos, em simultâneo, vigários, ou seja, condutores espirituais e temporais de vastas circunscrições de terras e de gente. Eram eles, o festejado padre Miguel de Carvalho, cronista primeiro do Piauí; o padre Tomé de Carvalho e Silva e o padre Inocêncio Carvalho de Almeida. Os cinco eram filhos de Belchior Gomes da Cunha e de Isabel Rodrigues. O apelido Carvalho parece lhes ter vindo do tio Bernardo, ao menos é o que me faz sentido, até onde pude pesquisar e fazer hipótese. O apelido Cunha (de Belchior Gomes) parece ligar-se aos Castelo Branco, desde Portugal. Assim, os casamentos dos Carvalho de Almeida (Manuel e Antônio) com moças de apelido Castelo Branco resultam de afinidade por parentesco já existente em Portugal. José é meu quarto-avô em linha masculina contínua. Tinha sobrenome duplo, Carvalho e Almeida. O primeiro é a referência mais forte. Almeida reportava-se a cidade desse nome, em Portugal, tratando-se de uma indicação de origem, mas não de um apelido familiar. O mesmo se aplica a Bernardo Carvalho de Aguiar, em que de Aguiar é referência a uma vila de origem, no Norte de Portugal. José, aos 23 anos, alistou-se na Infantaria de Milícias. Era ainda o tempo da colônia, ano de 1793. Esteve em ação de campo por várias vezes, na consolidação da dominação colonial portuguesa. Em 1815, foi feito oficial e, em 1824, capitão. Por muitos anos, foi coronel da Guarda Nacional, no tempo do Império do Brasil. Foi ainda deputado provincial e presidente da Câmara Municipal de Campo Maior. Como homem de posses do seu tempo, foi, é o que parece, protetor dos costumes e da submissão à Igreja e a seus preceitos. Era primo do notável Leonardo da Nossa Senhora das Dores Castelo Branco, uma vez que os dois foram netos, pelo lado masculino, de Antônio Carvalho de Almeida, o velho. Cabe cuidar da formação histórica do município de Barras do Marataoã. Importa fazê-lo para mostrar como José Carvalho de Almeida tem a ver com o assunto. Em meados do século XVIII, o coronel Miguel Carvalho de Aguiar, filho de famoso Bernardo, e assim parente do nosso José, começou a construir uma capela em louvor de Nossa Senhora da Conceição, nas terras da sua fazenda Buritizinho, em meio à povoação nascente chamada “das Barras”. Em 1759, sendo então terminada a capela em louvor de Nossa Senhora da Conceição, a fazenda Buritizinho passa a ser propriedade de Manuel da Cunha Carvalho, que se casara com sua prima residente no Piauí, de nome Isabel da Cunha e Silva Castelo Branco, filha de Manuel Carvalho de Almeida, referido acima, e de Clara da Cunha e Silva Castelo Branco. É provável que Manuel da Cunha Carvalho tenha sido titular da fazenda Buritizinho por conta de sua mulher e prima Isabel, a ter recebido de seu pai Manuel Carvalho de Almeida. É o que faz sentido, em vista de a região ter sido, de primeiro, ocupada por Manuel Carvalho de Almeida. Quando da morte de Manuel da Cunha Carvalho e de sua esposa Isabel da Cunha e Silva Castelo Branco, no mesmo ano de 1776, sem filhos, a fazenda Buritizinho e mais terras passaram ao sobrinho de Manuel, de nome Manuel José da Cunha. Para mais emaranhar a estória, esse Manuel José casou-se com uma prima, Inácia Teresa Pereira Castelo Branco, filha de Francisco da Cunha e Silva Castelo Branco (filho de Manuel Carvalho de Almeida) e de Ana Rosa Pereira Teresa do Lago (filha de Antônio Carvalho de Almeida, o velho). Ou seja, Inácia era filha de pai e mãe que eram primos primeiros, e prima do nosso José, esse também neto de Antônio Carvalho de Almeida, o velho. Manuel José e Inácia não tiveram filhos. Inácia morreu em 1802 e Manuel José, em 1804. Por testamento e atos paralelos, estando doente, logo antes de sua morte, Manuel José nomeou procurador e administrador de seus bens ao seu parente Francisco Borges Leal Castelo Branco, marido e primo de Teresa Rosa do Lago Castelo Branco, irmã inteira de sua mulher Inácia. Não está claro, mais é de se entender, que a fazenda Buritizinho, que circundava a povoação de Barras, foi passada a Teresa Rosa, irmã inteira de Inácia, ficando seu marido Francisco como procurador e administrador enquanto Manuel José vivesse. Outra sucessora de Manuel José e Inácia foi, assumo, a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, a qual foi a mantenedora da igreja, sob a orientação de Francisco Borges Leal Castelo Branco.     Fato é que, Francisco Borges Leal Castelo Branco e Teresa Rosa do Lago Castelo Branco têm uma filha, a quem chamam Francisca, que vai assumir, em documentos, o nome inteiro Francisca Castelo Branco. Ela se casa com o nosso José Carvalho de Almeida. Como era de se esperar, José Carvalho de Almeida, por efeito de ser casado com Francisca se torna dono da fazenda Buritizinho e responsável, autoassumido, pela vila e pela igreja de Nossa Senhora da Conceição, pelo fato de suas terras as circundarem. Pelo que se sabe, apega-se à igreja, como devoto. Isso tudo ocorre por volta de 1819.  Em 1831, José inicia a construção de uma nova igreja para ser a matriz de Barras, em lugar da igreja de Nossa Senhora da Conceição. O novo templo é chamado do Santíssimo Sacramento. José morre em 1869. Embora tivesse deixado instruções para ser sepultado no interior da igreja do Santíssimo Sacramento, a qual construiu, uma nova legislação proíbe que igrejas servissem como cemitérios. Assim, o corpo de José Carvalho de Almeida é enterrado no cemitério municipal até que, por interpretação feita de que José já tinha direitos adquiridos antes da nova lei, os seus restos são levados para a igreja do Santíssimo Sacramento e postos sob uma lápide com as inscrições devidas. A velha igreja do Santíssimo Sacramento é demolida, noventa e quatro anos depois da morte de José. É substituída por uma nova construção consagrada. Quando da demolição, no entanto, os restos de José e a lápide não foram devidamente recolhidos. Perderam-se, de algum modo e para sempre.   Em 1941, por ocasião do centenário do município de Barras do Marataoã, a Câmara Municipal proclamou José Carvalho de Almeida “Patrono da Cidade”.    Gilberto de Abreu Sodré Carvalho é historiador, romancista, autor de livros no campo da gestão e advogado. Nascido no Rio de Janeiro e apaixonado pelo Piauí, terra de parte de suas raízes familiares.

  • A. Tito Filho, os 100 anos do barrense que revolucionou a cultura do Piauí.

    José de Arimathéa Tito Filho Ele ficou conhecido como o mais longevo presidente da Academia Piauiense de Letras, instituição que dirigiu sem interrupções por 21 anos. Professor de Português de muitas gerações, também o magistério o celebrizou, assim como a devoção à crônica sobre Teresina e sobre questões culturais e históricas de seu Estado Natal. Em 27 de outubro de 2024, ele completaria 100 anos, se vivo fosse. As ideias e o legado, porém, ainda ressoam na sociedade piauiense, e seu nome é festejado pelo muito que sua ação representou, transformando instituições, pessoas e o tempo em que viveu, para além dele. Por isso, José de Arimathéa Tito Filho recebeu, ao longo de 2024, muitas homenagens. Entre as ações que o homenagearam, uma ação conjunta da Secretaria Estadual de Cultura, Conselho Estadual de Cultura do Piauí e Academia Piauiense de Letras. Essas entidades criaram e desenvolveram o 1º Concurso Literário A. Tito Filho: poemas, contos e crônicas. A iniciativa voltou-se para as escolas públicas da rede estadual do Piauí, com grande adesão e repercussão social. O resultado desse projeto foi o lançamento de um documentário sob orientação de Nelson Nery Costa e da coletânea que publicou os textos premiados no certame. Saiba mais sobre A. Tito Filho em entrevista com o historiador Jordan Bruno. Assista ao perfil de A. Tito Filho, pelo historiador e ex-presidente da Academia Piauiense de Letras, dr. Reginaldo Miranda da Silva. Veja como foi o lançamento da coletânea com os textos vencedores do Concurso Literário A. Tito Filho 2024. (Escrito e postado pela curadoria do Museu Virtual de Barras do Marataoã)

  • O PESQUEIRO – Um ponto turístico na vida de Barras – PI

    (*)Francisco de Assis Alves de Oliveira Vista panorâmica da barragem do Pesqueiro Google Imagens 2018 A cidade de Barras foi abençoada pela sua privilegiada localização. Nasceu ao redor de rios, riachos e tantas outras belezas naturais. Às margens do principal rio da cidade, o Marataoan, surgiu o Pesqueiro, que foi primitivamente lugar de morada de ribeirinhos nativos. A função do historiador é fazer lembrar aquilo que a sociedade quer esquecer, disse o historiador Peter Burke. Portanto, não podemos esquecer que o Pesqueiro funcionou como um dos principais atrativos turísticos de Barras, gozando de bom conceito da sociedade barrense até os anos de 2009. Devido a ausência de documentos escritos, vamos recorrer à memória dos moradores da cidade para escrever um breve histórico desse memorável ponto turístico. Apoiamo-nos nos conceitos e teorias de Thompson, para quem a memória de uma pessoa pode ser a memória de muitos, possibilitando a evidência dos fatos coletivos. O Pesqueiro fez parte de momento importante do turismo na cidade de Barras, quando as belezas naturais do Rio Marataoan eram uma ótima alternativa para a prática de lazer em local de pesca valorizado pelos ribeirinhos; local que se tornou, por muitos anos, o atrativo turístico mais conhecido da cidade. O Balneário natural Pesqueiro ficava Localizado na saída de Barras sentido Teresina, às margens direita do Rio Marataoan, vizinho ao Bairro São Cristóvão. A barragem do Pesqueiro não era apenas um lugar de visitação turística, mas também de atividade econômica. Existia no lugar uma churrascaria que, por muito tempo, funcionou como um dos espaços mais requintados de Barras, frequentado majoritariamente pela alta sociedade barrense, ou seja, pessoas de gosto aprimorado e com boa condição financeira, dispostas a pagar expressiva quantia em dinheiro para apreciar a gastronomia servida na casa. O pesqueiro, concentração de pessoas debaixo das árvores Foto de domínio público, colhida do Google Imagens A denominação Pesqueiro está vinculada à existência no local de um ponto de pesca artesanal. O espaço, que tempos depois se transformou em um movimentado ponto turístico da cidade, era apenas um ponto onde se reuniam pessoas para pescar. Ressalte-se que o Rio Marataoan se constitui no mais importante recurso hídrico que abastece toda a sociedade de Barras. Suas águas abrigam uma vasta variedade de peixes, propiciando meios de subsistência aos moradores mais carentes de recursos, que utilizam a pesca para fazer uma renda extra e suprir as necessidades alimentares. Em 1950, a gestão pública municipal. sob o comando de Francisco Luiz de Carvalho e Silva, mandou construir um grande paredão de concreto na área que compreende especificamente a barragem. Essa obra de infraestrutura significou ação de grande alcance social até hoje, porque permitiu represar e armazenar a água no caminho percorre por ele no perímetro urbano, formando dessa forma a barragem do pesqueiro com aproximadamente 68 metros de comprimento, A construção dessa obra favoreceu oportunidade de negócios. Foi determinante para despertar o espirito empreendedor em algumas pessoas que passaram a desenvolver atividade econômica no lugar, oferendo espaço de lazer para população do município e cidades vizinhas. A área é também chamada de barragem da ponte. Barragem do pesqueiro - Rio Marataoan Foto: arquivo particular do autor, 2023 O Rio Marataoan é parte integrante da belíssima paisagem natural da cidade de Barras e faz parte do conjunto de elementos constitutivos do Polo das águas, roteiro turístico do Piauí. Balneário, o pesqueiro foi um dos mais visitados e disputados pontos turísticos da cidade. No período do carnaval, milhares de foliões buscavam o local para se divertir e saborear a culinária barrense. As pessoas se deslocavam até o pesqueiro para mergulhar e se refrescar do calor nas águas frias e cristalinas do Rio Marataoan. Os mais aventureiros, de cima da ponte, promoviam um verdadeiro espetáculo, dando salto mortal nas águas da barragem do pesqueiro. O Pesqueiro teve uma grande rotatividade de proprietários. Passou por diversas administrações, entre elas, a do senhor Vicente Dias de Barros, o Vicente da Cooperativa, que foi o último proprietário em seu momento áureo entre 2002 a 2009. Conta o senhor Vicente que foi o período dos melhores carnavais de Barras no Pesqueiro. Antes, porém, foi administrado durante 8 anos por um senhor de nome Heraldo Paraibano. Além deles, outros mais tocaram negócios no Pesqueiro, a conferir: Ademar Canabrava, Associação do Bairro São Cristóvão e Francisco Izídio de Sousa (Chico Hermínio), que tinha sociedade com o senhor Saturnino Borges de Melo. O período de permanência dos dois últimos foi de apenas 5 anos, 1982 a 1986, ocasião em que realizaram uma reforma e ampliação, visto que o Pesqueiro, nessa época, tratava-se de uma pequena palhoça. Anterior a tudo isso, teve o seu momento mais importante: a criação do Pesqueiro como ponto turístico, por volta de 1976. Originalmente, pertenceu ao senhor Sebastião Araújo Silva, o Sebastião Sesóstis, de quem podemos dizer foi um visionário. Alguém que imaginou o futuro de forma a fazer planos para alcançar seus objetivos. Conta o senhor Sebastião Sesóstis que visitou o local e ficou observando o movimento de pescadores e banhistas; sentou na cabeceira da ponte e passou a conversar com ele mesmo dizendo: “Aqui parece ser um lugar que dá para ganhar um bom dinheiro”. Ele não perdeu tempo, logo construiu uma palhoça, ou seja, uma habitação rústica coberta de palha de coco babaçu e juntamente com sua esposa, a senhora Maria Nilsa de Araújo Rego Silva, passou a vender bebidas e comidas nas margens do Rio Marataoan. Sebastião Sesóstis, o homem que teve a excelente ideia de transformar um ponto de pesca em um local de negócio e lazer Foto: arquivo particular do senhor Sebastião Sesóstis . Cabe nesse momento fazer um registro importante, o senhor Sebastião Sesóstis conta ainda que enfrentou desafios e dificuldades para iniciar o negócio, devido a conflitos com uma família ribeirinha nativa do local, mais precisamente uma senhora conhecida pelo apelido de Zeferina, que dizia não aceitar a existência de um bar na frente de sua residência. A barraca de palha foi construída no exato local onde existiu primitivamente a residência de uma família, que se mudou do local devido a uma grande enchente que fez o rio Marataoan transbordar e alagou a casa da ribeirinha. Na frente da churrascaria, tinha uma cerca de talo de palmeira de babaçu. No período de administração do proprietário Vicente, o espaço recebeu melhorias para melhor acolher o turista. O acesso ao local era dificultado devido a um barranco que causava desconforto no subir e descer. Logo na entrada, ao descer da estrada para entrar no pesqueiro, os visitantes se deparavam com essa ribanceira, ou seja, terreno com grande declive, que posteriormente foi eliminado com o nivelamento da margem mais elevada do terreno, facilitando o acesso. Roda de amigos na churrascaria do Pesqueiro Foto: Arquivo particular do senhor Sebastião Sesóstis A churrascaria era um atrativo a mais para os banhistas que se dirigiam à barragem do pesqueiro, que promovia shows ao vivo com atrações musicais da cidade, quais sejam: banda chapéu de couro, banda RPS com o cantor João do Preto, entre outras. Um dos frequentadores conta que um dos últimos proprietários do estabelecimento desenvolvia algumas estratégias para cativar os clientes, por exemplo, já servia a bebida acompanhada de uma porção de caldo de peixe surubim como cortesia da casa. As pessoas compareciam para tomar banho, mas também para apreciar as delícias da churrascaria. A Maçonaria realizou algumas de suas festas de confraternização no pesqueiro. Também, as festas de confraternização da prefeitura, na época em que foi Prefeito o senhor Raimundo Triunfo. Conta o senhor Francisco Izídio de Sousa (Chico Hermínio), que o Governador Hugo Napoleão e sua comitiva, nas visitas que faziam ao município de Barras, tiveram almoço servido no pesqueiro. Nessa comitiva, estavam, entre outros, o deputado Humberto Reis da Silveira. Conta, ainda, Francisco Izídio que, na sua época, os bares da cidade de Barras tinham dificuldade em vender a cerveja Antártica, por conta da predileção quase que exclusiva dos apreciadores pela cerveja Brahma. De acordo com as palavras do Senhor Francisco, o ponto turístico em estudo se destacou como um dos primeiros a vender a cerveja Antártica na cidade. Pesqueiro- detalhe da fachada principal da churrascaria em ruínas Foto: arquivo particular do autor, 2023 A ponte que fica sobre o Rio Marataoan ligando o centro da cidade ao bairro São Cristóvão constitui o conjunto paisagístico do Pesqueiro; cuja construção no modelo atual se deu entre os anos de 1961 a 1965, sob o governo de Francisco das Chagas Caldas Rodrigues. A estrutura mede 96 metros de comprimento. Ela veio em substituição à antiga ponte, que era de madeira. Ponte de madeira sob Marataoã Registro colhido da web sem autoria declarada. Fachada principal da ponte, que faz parte do conjunto paisagístico do Pesqueiro Foto: arquivo particular do autor, 2023. O desinteresse dos empreendedores locais, a resistência ao banho de rio e o aparecimento das piscinas nos quintais das residências foram determinantes para o desapreço ao pesqueiro, que deixou de ser um dos lugares mais glamourosos da cidade Barras. Hoje obscurece a estética da cidade. O pesqueiro foi um ponto turístico que merece ser lembrado e registrado na história de Barras. Podemos chegar à conclusão de que são três os elementos que constituem o conjunto paisagístico do pesqueiro como ponto turístico, quais sejam: A ponte, a barragem e a churrascaria. Os pescadores ribeirinhos, nativos do local, foram a inspiração para o nome. A construção da barragem atraiu os banhistas para o lugar. A churrascaria passou a atender as necessidades dos turistas em relação à comida e às bebidas. (*)Francisco de Assis Alves de Oliveira é pesquisador. Graduado em História e Especialista em História do Brasil Referência: ARAÚJO, Maria José de Oliveira Calaça. Depoimento oral, 2023. ARAGÃO, Marília Carvalho. Planejamento Turístico e Desenvolvimento no município de Barras-PI, 2011. BARROS, Vicente Dias de. Depoimento oral, 2023 BURKE, Peter. A Escrita da História e novas Perspectivas. São Paulo: Unesp,1992. SILVA, Francisco das Chagas Cardoso. Depoimento oral, 2023 SILVA, Maria Nilsa de Araújo Rego. Depoimento oral, 2023 SILVA, Nelson Alves da. Depoimento oral, 2023 SOUSA, Tânia Maria de. Depoimento oral, 2023 SOUSA. Francisco Izidio de. Depoimento oral, 2023 SILVA, Sebastião Araújo. Depoimento oral, 2023 NASCIMENTO, Cleudiane Rodrigues. Impacto Geoambiental do Rio Marataoan: Barragem do pesqueiro – Município de Barras-PI, 2012. THOMPSON, Paul. A voz do passado. São Paulo: Paz e Terra, 1992 Assista à leitura coletiva do artigo realizada pelo autor para Tributo à Cidade Natal, organizado pelo Museu Virtual de Barras do Marataoã.

  • A Finada Alda em Prosa e Verso

    Capa da obra Finada Alda, de autoria de Francisco Acoram. "A jovem Alda levantou-se muito cedo no dia nove de julho de 1961. O pai e a mãe, também. Alguns instantes depois, todos os moradores da casa estavam de pé. As lamparinas foram acesas. Um murmurinho na casa não demorou. As vozes dos pais e de seus irmãos confundiam-se no recinto. A barra do sol começava a alumiar no horizonte distante. Assim como as demais noites do mês de julho, a madrugada estava friorenta, em contradição com os dias de temperaturas elevadas do período, clima característico dos munícipios da região Norte do Piauí. Toda a família estava feliz. A alegria era geral. O domingo prometia ser esplêndido. A moça dirigiu-se para um rústico banheiro localizado nos fundos do quintal da casa da família, próximo ao poço d’água. O líquido que acabara de retirar do poço mantinha-se ainda um pouco morno apesar do frio da noite. Caprichou no asseio pessoal com esmero, 13 ensaboando-se com um perfumado sabonete presenteado pelo seu amado noivo no dia de seu aniversário de dezenove anos de idade, que acontecera quatro dias antes. Nesse dia não houve comemoração. A festa, na verdade, seria no próximo domingo; o dia mais esperado de sua vida: seu matrimônio" Continue a ler a história de Finada Alda, recontada em Prosa por Francisco Acoram (pág. 12) Este fato aconteceu Lá na Cidade de Barras, No Estado do Piauí, Com informações bizarras, Ocupa lugar na história Com bem atraentes garras. Rebentou em seis de julho, No progressista Sobral, No Estado do Ceará Uma urbe industrial; Do ano de quarenta e dois Finada Alda, divinal. Pais, Manoel e Maria, Dois modestos lavradores, Mudaram pro Piauí Pra aliviar as dores, Com Alda ainda criança, Com elevados temores Continue a ler a história de Finada Alda, recontada em Poema por Francisco Almeida ( p.21) (Postado pela curadoria do Museu virtual de Barras do Marataoã, D. L.M)

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