O casarão da família Barros: marco na arquitetura de Barras do Marataoã
- dilsonlages
- 26 de abr.
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Atualizado: 27 de abr.

Reinaldo Barros Torres - da ALVAL
À sombra da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, onde o vento trazia o cheiro das águas do Rio Marathaoan, o ano de 1950 marcou o início de uma lenda de pedra, vergalhões de ferro, cimento e cal em Barras, tradicional cidade do norte do Piauí. O patriarca Raimundo de Sousa Barros, não via apenas um terreno castigado por dezenas de elevações de barro com cupins de formigueiros; ele enxergava o alicerce de um império familiar.
Enquanto a cidade de Barras pulsava timidamente entre as ruas David Caldas e General Taumaturgo de Azevedo e nas laterais da Igreja Matriz. Aquele trecho onde seria a nova morada nos fundos da Igreja era onde Senhor Barros imaginava grandes os sonhos da vida. Na vizinhança, o casarão do poeta Otávio de Castro Melo, irmão do governador Leônidas de Castro Melo, conferindo ao lugar um ar aristocrático.
Para erguer seu sonho, Raimundo Barros não poupou esforços. A construção tornou-se o assunto das calçadas: exatos 1187 sacos de cimento foram consumidos para dar forma às paredes robustas e ao destino da linhagem. Cada saca de cimento que chegava era um desafio à logística da época e uma afirmação de permanência.
À medida que os montes de barro dos formigueiros davam lugar aos andaimes, a estrutura se erguia soberana. O casarão não era apenas uma moradia, mas um triunfo da nova arquitetura barrense. Quando as portas finalmente se abriram, o cenário havia mudado: o que antes era um terreno de pouco valor tornara-se o epicentro de uma nova era urbana. Nos finais de tarde e início de noite, era comum dezenas de jovens se postarem na Praça Senador Joaquim Pires, em frente ao casarão, para apreciarem a novidade da cidade, e claro, para ouvirem as mais belas canções da época tocadas via discos de vinil, numa radiola alemã comprada em Recife por Raimundo Barros.
Hoje, o Casarão da Família Barros permanece como um guardião silencioso da história local. Suas paredes guardam o eco das prosas de meados do século XX e o legado de um homem que, com mil cento e oitenta e sete sacos de cimento, cimentou para sempre o nome de sua família na arquitetura e na memória de Barras - também como próspero comerciante, já que ao lado do casarão, edificou outro prédio onde instalou a "Casa Barros", loja especializada na venda de tecidos e mobília doméstica.
(*) Texto de Reinaldo Barros Torres, escritor membro da Academia de Letras do Vale do Longá - ALVAL
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